quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Do céu que eu invento

O meu eu não requer nenhuma condição.

Ele se comove sem necessidade

depois adormece em crises,

acorda mudo e sabedor das causas.

Todas elas minhas filhas, criadas com apreço

e mortas sem piedade, ou lamento.

É fato que dói e passa.

E eu passo a ser pássaro,

do céu que eu invento.

domingo, 30 de outubro de 2011

No céu, no sonho...


Dei-me a um céu que não chamo céu.

E lá estive quando era a luz que atravessava as nuvens

e o fogo que incendiava os lençóis.

Não vi anjos, nem portões, nem ouro.

Vi-me tão Afrodite, tão humana, tão menina...

E se a razão às vezes dói, é porque sonho.

E gostar de sonhar, é viver e nada mais.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Sentimentos agudos

Numerosas sensações despertam um sentir exato e incontestável

onde a mansidão das palavras é um desprender de folhas ao vento

Junto ao furor das tempestades maiores.

Estes teus olhos pueris, oferecem-me a paz e o silêncio;

Enquanto suas mãos exageradas me tocam.

Sinto um irremediável desejo visceral de tudo

Enquanto nada fizemos ainda.

Sonhamos tão perto, e sonhamos tão longe.

E o que é distância?

Não é nada quando um já reside no outro

desde muito tempo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Percepções lúcidas


De um lado a alma que acredita que tudo pode ser diferente, porque é diferente desde antes da existência de qualquer coisa, e do outro a alma que por amor, evita o sofrimento.

São almas gêmeas, todos dizem, e suas próprias almas também.

E eles?

Um acredita em um único sonho diante de milhões de possibilidades, e o outro acredita não ser o sonho de ninguém.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Tus manos

Cuando tus manos salen,
y amor, hacia las mías,
qué me traen volando?
Por qué se detuvieron en mi boca,
de pronto,
por qué las reconozco
como si entonces antes,
las hubiera tocado,
como si antes de ser
hubieran recorrido
mi frente, mi cintura?

Su suavidad venía
volando sobre el tiempo,
sobre el mar, sobre el humo,
sobre la primavera,
y cuando tú pusiste
tus manos en mi pecho,
reconocí esas alas
de paloma dorada,
reconocí esa greda
y ese color de trigo.

Los años de mi vida
yo caminé buscándolas.
Subí las escaleras,
crucé los arrecifes,
me llevaron los trenes,
las aguas me trajeron,
y en la piel de las uvas
me pareció tocarte.
La madera de pronto
me trajo tu contacto,
la almendra me anunciaba
tu suavidad secreta,
hasta que se cerraron
tus manos en mi pecho
y allí como dos alas
terminaron su viaje.

Pablo Neruda

domingo, 11 de setembro de 2011

Juntas, o tempo todo.


Tantas vezes complicamos a simplicidade. Com isso, distorcemos as coisas e fazemos um desnecessário alvoroço. Nessas horas, devemos nos questionar para entender sobre nossas aflições. Assim, percebemos que o tempo não pode ser contado e as esperas devem ser realmente esperas e não um martírio. Quando compreendemos que nossas respostas também necessitam de um tempo, passamos a cultivar a paciência. Somos nós os responsáveis em trazer junto à alma a paz que precisamos e mantê-la sempre serena. Eu estou aprendendo, assim como aprendi sobre o que sou de verdade.

Agradeço por saber escutar e apreciar as palavras como um bom bálsamo acalentador para as minhas agonias, e é bom saber que tem alguém igual a mim que precisa estender as mãos e acalmar, cuidar e amar quem tanto quer bem. Você me ensina, e me faz compreender o que já sei, mas por ser inquieta, deixo-me às vezes, entrar em desespero, como se os segundos escorressem pelos dedos, assim, como você mesmo disse. A cada dia, torno-me consciente de mim mesma, e pensar e agir de maneira mais tranquila, só me faz bem. Quando conhecemos a nós mesmos, tudo passa a ter um sentido diferente, e isso, significa mudança. Mudança que consiste em mudar certas atitudes que jamais farão com que deixemos de ser o que somos, mas, com certeza nos faz seguros diante da aceitação daquilo que devemos melhorar em nós, e nos prepara para o equilíbrio. É isso; devemos estar em constante equilíbrio. Só assim, somos capazes de entender um ao outro, e saber o que dizer nas horas em que tudo parece não fazer sentido. O tempo vai passar com uma convenção, uma regra, ou uma invenção, só que para nós, ele vai continuar eterno, e nossos sonhos serão sempre os mais bonitos, porque sabemos sonhar e viver um sonho de cada vez. Você tem razão, e eu também tenho: somos sonhadores que sabem aproveitar a beleza do momento. Tudo isso vem do amor que sustenta nossas almas iguais, que se completam e estão juntas, o tempo todo.

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...


A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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