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sábado, 17 de abril de 2010

Oscilantes sentimentalidades

Já não me basta somente olhar os girassóis sedentos pela luz.
Eu quero abraçar o brilho da intensidade e me comover com isso.
A chuva torrencial das minhas lágrimas diluiu todas as ilusões.
Faço uso do riso fácil agora em verdade destemido.
Meu orgulho vaidoso já não comporta oscilantes sentimentalidades.
Cansei da normalidade abusiva.
Quero é gritar do alto da montanha para que os pássaros ouçam:
- Vida, eis me aqui!

sábado, 10 de abril de 2010

Percepções

Avanço o escuro e crio minha própria luz.
Vejo todo esse igual rotineiro de maneira diferente.
Guardo um espaço recriado em meio aos desenganos do passado.
Busco uma alegria solta em sorrisos mágicos fulgurados por estrelas maiores.
Saio de mim como se existissem outros caminhos, mesmo perdendo-me no meio da estrada.
Cansei do pesar das horas frias e dos apelos esquecidos entre quatro paredes.
Paredes brancas e sempre iguais, como minhas falhas repetidas.
Sigo minhas escolhas, e o medo de antes, não mais acorrenta meus tornozelos.
Sou tão entregue ao que sinto que já me vejo no egoísmo absoluto desses sentimentos que jamais se explicam.
Deixarei que as palavras me comovam e o que os ventos guiem meus descompassados passos estreitos.
Não medirei meus dias nas expectativas tolas dos sentimentos falsos, nem despertarei ilusões póstumas.
Serei a minha loucura de sempre, não mudarei meus acasos em favor de outros que dizem ter a cura para minhas insanidades.
Sigo ilesa, e agora, não mais sozinha.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Suficiente pra mim


Eu nada sei. Finjo uma ignorância tamanha. Quem tem os pés em dois mundos é fadado a agir assim, por isso, dou o que todos querem também: o meu sorriso, a minha lágrima; a minha fé; a minha inconstância e até a minha maquiada loucura, já que as minhas verdades ferem mais que curam. Já imaginei as inúmeras possibilidades de mudança, mas qualquer esforço (ou não) jamais foi válido. Creio eu que ainda não achei um “molde” ao qual eu me “encaixe”. Quem sabe eu sou como os loucos que são considerados tão vãos e nada se ouvem deles? Quem sabe eu sou apenas alguém que busca uma resposta todos os dias dessa mórbida existência? Quem sabe sou alguém que já morreu e nem sabe? Quem sabe sou alguém que nasceu no mundo errado? Quem sabe sou tão alma que nada de concreto me desnuda? Quem sabe meu sentimento é tão explícito que cega? Quem sabe de mim, se não eu mesma? Eu sou exatamente igual a você. Quando te olho, eu tenho a certeza de tantas coisas duvidosas que me acompanharam e que hoje se fazem tão claras.

Eu jamais imaginei que um dia alguém me compreendesse exatamente como eu sou. Alguém que compreendesse que meu mundo não é redondo nem quadrado. É apenas o meu mundo, da forma que eu quero. Estou aprendendo a cada dia. São novidades velhas, que há muito tempo eu guardei no baú da incredulidade, pois pensei que ninguém jamais daria importância a elas, mas, você surgiu e me fez perceber que as possibilidades existiam, e quê devemos olhar as coisas como realmente elas são, mesmo sendo tão complicado, pois o mundo é tingido de cores horríveis e certamente não seremos compreendidos como queremos, mas não devemos jamais abandonar nossas verdades.

O que importa é a nossa alma livre e o nosso descompromisso com os padrões. Os outros jamais iriam compreender. Contaríamos a eles o quê somos? Contaríamos a eles o quê tanto sabem, mas não encontram coragem para aceitar? Se eu dissesse ao mundo das minhas ideias e planos, ninguém me ouviria. Já não me importo em ser ouvida ou aceita. Meu mundo agora se resume em poucas coisas, pois não precisamos de muito para ter certezas. Você é uma das minhas certezas e isso é o suficiente pra mim.

terça-feira, 2 de março de 2010

AMOR é o que escrevo

O que encanta são as doces nuvens de Março.
Elas desenham as formas que eu tanto quero.
Não é delas o domínio dos meus sentidos abstratos,
e sim, os meus sonhos de algodão.
Eu bailo entre as tormentas e o cândido chuvisco.
Eu faço esvair as alvoradas entre os dedos,
recorrendo ao tempo inventado que me cabe.
Translúcida viagem comovente essa minha!
Alma viajante de poeta em cometas pequenos.
Estrelas de afagados catadas uma a uma.
Céu que beija o lago quieto franjado pelo verde.
Brilho que reluz reflexos frouxos de revoadas.
Pássaros, flores, sonhos e amores.
Amores meus que tenho achado como diamantes,
que são as pedras simples polidas do caminho.
Olhos que me seguem ao longe apaixonados.
Mãos que se juntam as minhas por vontade.
Sonhos que sonham comigo na poesia.
Mundo nosso, abstrato mundo nosso!
Agora eu sei do silêncio que descreve um poeta,
sem rima ou forma aparente.
E no final, uma única palavra: AMOR
Amor dos dias soltos e sorrisos largos.
Largos são os dias em que te tenho,
e que te reconheço em mim a todo instante.
Só quem conhece o bem do sentido mútuo,
sabe escrever dessa palavra de agora.
AMOR, de novo, amor é o que escrevo.

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...


A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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