
O que encanta são as doces nuvens de Março.
Elas desenham as formas que eu tanto quero.
Não é delas o domínio dos meus sentidos abstratos,
e sim, os meus sonhos de algodão.
Eu bailo entre as tormentas e o cândido chuvisco.
Eu faço esvair as alvoradas entre os dedos,
recorrendo ao tempo inventado que me cabe.
Translúcida viagem comovente essa minha!
Alma viajante de poeta em cometas pequenos.
Estrelas de afagados catadas uma a uma.
Céu que beija o lago quieto franjado pelo verde.
Brilho que reluz reflexos frouxos de revoadas.
Pássaros, flores, sonhos e amores.
Amores meus que tenho achado como diamantes,
que são as pedras simples polidas do caminho.
Olhos que me seguem ao longe apaixonados.
Mãos que se juntam as minhas por vontade.
Sonhos que sonham comigo na poesia.
Mundo nosso, abstrato mundo nosso!
Agora eu sei do silêncio que descreve um poeta,
sem rima ou forma aparente.
E no final, uma única palavra: AMOR
Amor dos dias soltos e sorrisos largos.
Largos são os dias em que te tenho,
e que te reconheço em mim a todo instante.
Só quem conhece o bem do sentido mútuo,
sabe escrever dessa palavra de agora.
AMOR, de novo, amor é o que escrevo.