quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Derradeiros versos

Mesmo gritando, calo-me diante dessa ainda acesa chama.
Em atalhos mais escuros irei achar outros caminhos.
É infinita a dor do peito daquele que somente ama.
São martírios provocados pelos mais duros espinhos.
Enquanto na pureza do papel, um verso triste só reclama.

Amar e sofrer, ainda que poético, é padecimento sem fim.
Desculpem-me, não sei achar outra maneira nobre,
a não ser traçar nestas linhas, a verdade sobre mim.

Fim.

Mísero destino.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Versos insignificantes


Eu vi um desacerto d’alma,
e sorvi o sal da lágrima que chorei.
Perdi o restante da minha calma,
ao relembrar o quanto amei.

Como pode a insensibilidade deixar tamanho fel?
É como cantar o amor, sem saber o que é,
e viver no inferno pensando ser o céu.

Vou deixar as manchas nódoas pra que eu veja.
Pois, meus olhos clamam que eu enxergue.
E mesmo que em meu peito o amor ainda esteja,
Vou gritar mil vezes até que eu negue.

Não sei odiar, nem sei fazer uso de vãos sentimentos.
Deveria eu aprender a não ter coração,
e maldizer mil vezes teu nome em lamento,
só para que saibas o quanto dói uma desilusão.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Simples assim

Nada mais que uma poesia nua.

Um nada.

Uma queda irreparável.

Uma verdade crua.

sábado, 7 de novembro de 2009

Ao tempo que somos

Vivo a margem isolada no canto esquerdo aonde ninguém chega.
Mesmo assim, faço-me aqui sempre presente aos que se ausentam.
Preciso contar as horas de maneira segura e recorrer ao meu tempo.
Um tempo carregado em asas de pássaros e sopro de vento.
Eu sou tão necessária a mim, que me torno duas.
Olho do alto o tempo que discorre e os outros que caminham logo abaixo.
Caminham sempre iguais, a passos longos ou curtos, mas sempre do mesmo jeito.
Eu aqui pairando entre estas nuvens fico a imaginar sempre em reticências.
Há em mim um gosto por coisas abstratas e metafóricas.
Enquanto os outros são feitos de começo, meio e fim,
eu apenas desenho no chão um começo para que meus pés sigam,
e não chego até o fim, porque sempre estou no meio.
Eu sou exatamente igual a você quando olho-me no espelho.
Ouço as mesmas coisas e vivo os mesmos dias desiguais.
O que difere é que sabemos quem somos.
O que magoa são aqueles que nunca compreendem.
É como caminhar em meio à multidão e sentir-se esbarrada sempre.
Sou conduzida a ficar vendo que todos passem,
e, alheia acompanhe sempre de lado, sempre a margem...
No meu tempo falho, desgastado e fugitivo, não há fendas.
Mas, me comove ser como sou.
Choro por qualquer motivo e sorrio por largas horas.
Aprendo o significado do bom e do ruim.
E vejo que preciso atar-me a alguns versos,
Pois eu preciso de você assim como preciso de mim.
O meu tudo não é pouco, mesmo aqui, a margem do que somos.
Dá-me tua mão para caminharmos juntos, nessa estranheza.
Equilíbrio de almas.
Correr de horas imprevistas.
Ombro amigo.
Amor que não se explica.
Necessidade plena.
Único remédio para uma doença que não existe.
Façamos do tempo nossa cura.
Façamos de nossas vidas um sempre.
Façamos de nós o que somos:
Nada mais que sentimentos.
Todos eles.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,a folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janelae respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
[Mario Quintana]

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Hoje


Abro a porta e vejo:
Sol, nuvens, pássaros e um azul de um céu.
A minha vida se resume em mim.
Eu me faço não só do que sinto, mas do que sou.
E sou o que me permito:
Sol, nuvens, pássaros e o azul de um céu.

O tempo passa depressa demais quando se pensa nele.
Hoje realmente não é igual a ontem.
Amanhã quem sabe tudo muda.
Ser como sou, permite-me ter possibilidades.


-POESIA-

Amor não se acostuma.
Amor que se acostuma morre.
Dia sem sol não aviva flores.
Felicidade não pode ser só uma,
e ninguém vive uma vida sem amores.

[Jacque]


Fragmento IV do Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa:

Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz.
E por isso não erra e é comum e boa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Amor de todo dia

Um amor quieto e simples, desses feitos de coisas pequenas,
não recorre a grandes pedidos e nem a impossíveis cenas.
Um colher de estrelas em noites cúmplices.
Um sorriso solto e um gesto breve.
Um beijo esperado, um sorriso de lado e um toque leve.

Amor se aprende todo dia,
para fazermos dele, nossa mais bela poesia.

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...


A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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