quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Saudade nova


Eu não sei mais sentir uma saudade.
Eu sinto todas.
Meu coração bate como o de um animal em fuga,
quando sua voz teima docemente em ecoar em meus ouvidos.
Você que dizia não ser poeta, me fez versos,
segurou minhas mãos e pacificou minha alma.
Não falou de amores impossíveis.
Nem de sonhos que jamais seriam realizados.
Simplesmente falou de nós e do raro que somos.
Tenho sentido falta dos seus olhos.
E das vezes em que segurava minha mão e dizia:
“ Você me fez ver um mundo novo”

Irei aguardar o seu regresso, como prometi.
Meus versos de agora, não mais anseiam
e nem me trazem um desconforto de adeus,
eles declaram somente essa saudade que tenho.
Uma saudade nova.
De alguém que eu já conheço há muito tempo.


Que bom que você existe.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Autorretrato


Louca? Sim, sou o que há de insensato,

e sou a razão na medida exata.

Iverto meu novo autorretrato,

para o sorriso que a lágrima não mata.

Poesia tão bonita


Eis a história que em poesia narrou-se em silêncio:

No desuso das palavras já não havia mais nenhuma promessa.
E o que um dia era sua saga constante de escrita,
tornou-se a falta de inspiração que antes dava-lhe pressa.

Que pressa era essa?
Toda, por assim acreditar nas próprias palavras as quais amava.
E os olhos enchiam-se de alegrias maiores e logo se esvaiam.
Então, o que era seu, nunca havia sido como ela acreditava.
Sua crença era somente porque ainda seus olhos se iludiam.

O que resta?
Escrever ainda resta. Deixar aos olhos do mundo o que se passa.
Hoje, nessa escrita autêntica, há um zelo raro de cuidado.
É como se cada palavra dissesse em tom de ameaça:
-“Não pare de escrever, senão, teu coração será calado”

O que tenho?
Eu tenho no peito um coração que grita.
O mesmo que sofre, sorri e acredita.
Eu tenho uma alma que sempre será aflita.
Eu tenho o aconchego dessa minha poesia tão bonita.

Reflexão sobre o amor

Quando uma pessoa ama, deve haver liberdade - a pessoa deve estar livre, não só da outra, mas também de si própria. No estado de pertencer a outro, de ser psicologicamente nutrido por outro, de outro depender - em tudo isso existe sempre, necessariamente, a ansiedade, o medo, o ciúme, a culpa, e enquanto existe medo, não existe amor. A mente que se acha nas garras do sofrimento jamais conhecerá o amor; o sentimentalismo e a emotividade nada, absolutamente nada, têm que ver com o amor. Por conseguinte, o amor nada tem em comum com o prazer e o desejo.

O amor não é produto de pensamento, que é o passado. O pensamento não pode de modo nenhum cultivar o amor. O amor não se deixa cercar e enredar pelo ciúme; porque o ciúme vem do passado. O amor é sempre o presente ativo. Não é "amarei" ou "amei". Se conheceis o amor, não seguireis ninguém. O amor não obedece. Quando se ama, não há respeito nem desrespeito.
Não sabeis o que significa amar realmente alguém - amar sem ódio, sem ciúme, sem raiva, sem procurar interferir no que o outro faz ou pensa, sem condenar, sem comparar - não sabeis o que isto significa? Quando há amor, há comparação? Quando amais alguém de todo o coração, com toda a vossa mente, todo o vosso corpo, todo o vosso ser, existe comparação? Quando vos abandonais completamente a esse amor, não existe "o outro".

O amor tem responsabilidades e deveres, e emprega tais palavras? Quando fazeis alguma coisa por dever, há nisso amor? No dever não há amor. A estrutura do dever, na qual o ente humano se vê aprisionado, o está destruindo.A mente que busca não é uma mente apaixonada, e não buscar o amor é a única maneira de encontrá-lo; encontrá-lo inesperadamente e não como resultado de qualquer esforço ou experiência. Esse amor, como vereis, não é do tempo; ele é tanto pessoal, como impessoal, tanto um só como multidão. Como uma flor perfumosa, podeis aspirar-lhe o perfume, ou passar por ele sem o notardes. Aquela flor é para todos e para aquele que se curva para aspirá-la profundamente e olhá-la com deleite. Quer estejamos muito perto, no jardim, quer muito longe, isso é indiferente à flor, porque ela está cheia de seu perfume e pronta para reparti-lo com todos.

O amor é uma coisa nova, fresca, viva. Não tem ontem nem amanhã. Está além da confusão do pensamento. Só a mente inocente sabe o que é o amor, e a mente inocente pode viver no mundo não inocente. O amor não conhece o oposto, não conhece conflito.
Compreendeis o que isso significa? Significa que não estais buscando, nem desejando, nem perseguindo; não existe nenhum centro. Há, então, o amor.

De Jiddu Krishnamurti adaptado por Jacque.

Simples e verdadeiro

Um dia perguntei à ele:
-O que você gosta em mim?
Ele simplesmente respondeu assim:

Amo o conjunto da obra!
Suas mãos delicadas que gesticulam seu pensamento robusto.
Seu pensamento harmônico, desvendado nos gestos das suas mãos.
Seus olhos furtivos, buscando a verdade e se escondendo dela.
Sua verdade delicada, a qual transborda dos olhos rápidos e meigos.
Seus passos e pernas, seu meneio lento, tranqüilo e forte.
Sua sutil figura, esculpida da mais linda jóia.
Sua boca bonita, de lábios lascivos.
Sua voz gostosa, repleta de novas verdades, das quais a gente às vezes foge por toda a vida.
Seu cabelo bonito, sua cor brilhante. Um fio de sua madeixa haverá de ter um turbilhão de prazer orgásmico.
Seu nariz bem feito, adorno de moldura rosto; a inspiração do ar que respira. O sabor que devem ter seu hálito...
A silhueta indefectível, a voz infalível, o cheiro único, sua existência: capricho dos deuses.
Essa doce embriaguês só por saber da sua existência.
A felicidade sem tamanho por saber que você se importa com o meu existir.
O mundo velho, sem graça, sem sabor, sem sentido, que agora virou um outro mundo novo, com tudo diferente e melhor.
Quer saber do que eu gosto em você?
Eu gosto de você toda.

Ele não mente, não me ilude e só diz isso à mim.
Isso sim, vale a pena.
Sabe por quê?
Porque é simples e verdadeiro

domingo, 27 de dezembro de 2009

Falsa rosa

Da beleza rubra escarlate sangra a falsa rosa.

A poesia da vida


Relevo qualquer acusação que é feita.
Eu não posso mais ponderar-me por motivos teus.
E nessa minha poesia que nunca foi perfeita.
Deixo somente um verso triste de adeus.

Um tempo que não existia, hoje me cobra.
Viva! O tempo é curto, tu és livre agora!
Olhe! O quanto o ponteiro se desdobra!
Nada mais te impede, abrace cada hora!


A realidade da vida.

Não há sentimento real aliado a desconfiança.
Não há existência se nem os olhos, podemos ver.
Por que te escondes nesta tua insegurança?
Irreal. De fato, tu não queres viver.


Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...


A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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