sábado, 17 de outubro de 2009

Sinto e escrevo



Não sei negar aos versos esses pedidos desesperados.
Não sei acolher em meus pensamentos o isolamento.
Não sei ignorá-los por mais que sejam inventados.

Queria poder dizer nestes versos tudo o que meu peito sente.
Eu já não sei deixar de fazer poesia, vivo ao sopro das palavras.
Eu não sei ignorar a escrita como quem ignora o ausente.

Queiram não entender o que sou, é tão estranho.
Eu não sei deixar de escrever quando sinto.
Eu não sei guardar palavras em caixas de igual tamanho,
nem sei dizer quando na escrita eu minto.

A minha verdade é tão mentirosa que envergonha o papel.
As minhas mentiras são tão sinceras que me convencem.
Eu faço um mundo só meu, e nele, há um inferno e um céu.
Sou egoísta, minhas palavras somente a mim pertencem.

Leiam vocês! Leiam tudo o que aqui, minhas mãos inventam.
Sinceramente, parece mentira o que aqui deixo escrito?
Não confiem nos olhos, eles, por muitas vezes só salientam.
Confiem nas palavras, elas sabem como deixar um poema bonito.


Não quero folgar os meus sonhos.
E nem desmerecer nenhum verso.
Só quero um pouco de mim,
porque não sei aceitar o reverso.

Só sinto e escrevo.
Vivo e sei,
que eu te amo, e sempre, te amarei!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Entoo canções, faço poemas e deixo-te beijos




Deixo a embriaguez e o folgar de delírios consumirem meus dias.
E meu amor o vento espalha nessas manhãs de constâncias eternas.
Meu coração suspira banhado em águas claras de calmarias.
E o meu riso franco já não mais se sufoca por coisas externas.
Sou o que vejo de mim e o amor que no peito carrego.
Meus versos já não caminham em linhas retas.
Faço de mim um sossego. Por amor, eu mesma me entrego.

Amo na intensidade das forças que geram lampejos.
-Somente a ti, entoo canções, faço poemas e deixo-te beijos-

Lágrimas? Maldigo-as agora! Apenas sorrisos me usam.
Por ti irei desprender meus ermos e serei de mim o melhor.
Somente por amor hei de correr onde nossos caminhos se cruzam,
para dizer-te que o que sinto, não é falho, e sim verdade maior.

Mesmo que de nada me valha, irei te amar e morrer de desejos.
-Somente a ti, entoo canções, faço poemas e deixo-te beijos-


quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ex abrupto, poesia



Eu não sei livrar-me dos versos que faço.
Eu não sei deixar este amor insano.
Eu não sei recriar outro espaço.
Eu não sei deixar de dizer o quanto te amo.

Eu não sei mais esperar se você não vem.
Eu não sei mais ficar sem teu carinho.
Eu não sei dizer-te outra coisa, meu bem.
Eu não sei mais deixar você tão sozinho.

E faço poesia pra que tu saibas enfim,
Que meu amor é só teu, isso não nego,
E de minha boca só terás beijos de mim,
E as palavras que agora te entrego.

Hoje acordei te amando mais ainda,
Assim eu te disse, meu anjo cativo.
Tu és a razão que tenho na vida,
Tu és esse amor que tanto vivo.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Rendição

No caminho, entre lágrimas, apressava meu passo para que tu não me alcançasses. Sigo pela calçada, atordoada e segurando ainda nas mãos o botão de rosa que tu me destes. Eu devia afastar-me, mas não conseguia pensar em mais nada. Meus pés seguiam, mas meus pensamentos me continham naquelas tuas palavras... Tuas derradeiras palavras, pedindo pra que eu ficasse junto a ti, apenas mais uma noite. Não pude atendê-lo, dei de costas e soltei minha mão das tuas, segui até a porta, parei diante dela, apertei os olhos para que as lágrimas se desprendessem e rolassem pela minha face.

Ainda ouço de ti: “Fica, fica comigo...” Viro de frente, teus olhos pedem encarecidos por mim. Não resisto, corro até a ti, seguro-lhe o rosto, beijo-lhe a boca enquanto sinto teus braços contornando-me, trazendo meu corpo cada vez mais junto ao teu. “Não, não posso...” Saio de ti, abro a porta e desço as escadas a tempo ainda de olhar para trás e vê-lo, olhando-me ir embora. “Não posso... mas, quero tanto...” Sigo repetindo estas palavras pela calçada, na esperança de que tu me alcances e tira-me de vez essas idéias. Olho para o céu, é quase noite, logo recebo um pingo gelado de chuva. Parece um caminho sem fim, para que não acha sentido em nada.

De repente, ouço meu nome, tu vieste atrás de mim, ainda vieste... Peço encarecidamente que me deixes, que suma de vez. Tu me pedes para que eu entre no carro, pois a chuva logo virá. Eu apresso o passo, tu desligas o carro, sai ao meu alcance, segura-me firme pelos braços e diz: “Não consegues entender o quanto amo-te?” “Não devo, não posso ficar contigo” Tu repetes incansáveis vezes: “Ama-me! Ama-me! Sou teu, sou teu !” Enquanto o ouço repetir estas palavras, meu coração agita-se ao máximo, meu corpo estremece ao teu toque, meus olhos tentam não olhar os teus, abaixo a cabeça, faço movimentos bruscos, enquanto sinto a força de tuas mãos em mim.

A chuva cai, levanto os olhos, tu ainda repetes as mesmas palavras, olho o movimento de tua boca, teus lábios se tocam desenhando as palavras: “Ama-me! Ama-me! Eu me rendo, e digo: Cala-te, e me beija! E assim, na chuva, na intensidade do que somos, tu me olhas nos olhos e diz: “Ficas comigo nesta noite de chuva? “ Respondo-te sorrindo: “ Fico, não só esta noite, mas todas elas pra sempre ao teu lado.”

sábado, 10 de outubro de 2009

Pensamentos livres [dueto]


“Não há prisão que possa enclausurar estes meus versos, nem algemas ou correntes atadas a minha alma.”“Sou completamente livre como o vento.” “Sopro e suspiro, suspiro e sopro.” Vou aonde bem quero, quando quero, levando comigo de arrasto só aquilo porque me interesso...”

[Álvaro]


...”Não faço versos com quem pensa, apenas sinto e discorro sobre o papel o grito mudo contido nesse meu peito que só sente igual.”
“Sou viajante errante desses ventos. Deixo-me levar, sou livre quando suspiro ao som do sopro macio de uma brisa do mar ou a intensidade de um temporal”.
“Sou o que faço, sinto, escrevo e vivo, mesmo quando a inspiração me renega. Faço valer a liberdade que tenho. Eu sou aquela que na escrita se entrega”

[Jacque]

Intranquilidade quieta



Por um poema pequeno,
um verso sem rima;
ou, um poetar sem sentido;
escrevo por breve descuido,
promessa curta ou necessidade.
Rabisco o papel a fim de curar-me.
Recolho com zelo absoluto cada palavra,
depois as uso com intensa maldade.
Oscilo.
Sim, eu oscilo nos versos.
Amanhã uma nova inspiração,
um novo rosto.
E assim, vou sendo poeta,
vivendo tão somente,
dessa minha intranquilidade quieta.




quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Meu "eu" fugitivo

Eu quero oferecer a mim um refúgio. Quero deixar de lado toda a possibilidade de não merecimento. Quero me abraçar e sentir meu coração. Eu preciso sentir meu coração, saber como ele ritma. Eu preciso me enxergar. Eu preciso reforçar meus apelos, sentar-me à beira de uma estrada abandonada por onde ninguém passa, e passar por mim várias vezes. Preciso conversar comigo pra saber como sou. Eu preciso de mim. Preciso aprender uma prece, um rito que seja. Preciso de qualquer coisa que me leve junto ao meu “eu” fugitivo.

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...


A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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