
dos anos que se findam
Sem que a vida se apresse.
Viver é o que agora de fato tenho feito.
Feliz de mim que sou assim e não de outro jeito.

Pra quê mentir quando não se muda? O mundo continua imundo. Só os que ousam são capazes de colher as mais belas flores em meio à podridão de tudo isso. Eu cansei das pessoas iguais e dos sentimentos forjados. Quero os pacatos cidadãos que fervem por dentro! Esses bons moços simples que vivem com o pé em dois mundos, assim como você. Eu tenho um caso de amor comigo. Eu tenho um caso de amor com você, e só assim, pecando nos deslizes da vida, conhecemos da nossa felicidade. Os outros são os outros. Tão só eu estaria, se ficasse a espera de alguém. Eu tenho é a mim demais.
E de tanto gostar de mim, aprendi a gostar de você. E de tanto conhecer a mim, conheço os seus maiores segredos. E ainda ousam dizem que os que sentem assim, banalizam os sentimentos! Banalizar os sentimentos é não vivê-los! Não esperamos viver um amor para vida toda. A vida toda é muito tempo! E o amanhã? Não sei. Alguém aqui sabe do amanhã? Eu só sei que ele existe, mas eu sou feliz agora, na delícia que é estar ao seu lado. Um segundo de uma vida toda. Uma vida toda que se torna um segundo.
Dois doidos de amor é o que somos. Envoltos no véu do desejo e firmados na racionalidade necessária para dizer que a felicidade existe de fato quando a alma é livre de verdade. Não nos prendemos, e assim, nos temos por completo. Não nos cobramos, e assim, temos o que queremos. Não esperamos, e assim, vivemos.
- Dizem... A perfeição não pertence às formas, mas aos olhos que veem o objeto; nem aos odores, mas às narinas que farejam a fragrância; nem à textura, mas ao tato que percorre a pele; nem ao som, mas aos ouvidos que ouvem a voz; nem aos sabores, mas à boca que degusta o beijo... Buscamos tantas palavras quando poucas bastam ao coração. Imaginamos inúmeras situações quando apenas um segundo já vale uma vida toda. Um olhar que se perde em outro, a necessidade de contemplar um sorriso; um tormento necessário quando o corpo deseja; um instante de paz quando a alma pede. Enxergamos todas as imperfeições e conhecemos o perfeito que somos um ao outro. Não sei dizer outra coisa a não ser seu nome. Não sei dormir sem que seja ao seu lado. Os dias correm e o mundo continua o mesmo, a diferença somos nós dois. Quando paramos um no outro, nos fazemos iguais e únicos. Não há promessas. Há simplesmente a vida diante dos olhos. Os nossos olhos inquietos e inebriados dos sentimentos bons que dormem tranquilos no coração antes cansado. Refaço-me em você como quem nasce novamente e agora já é tarde demais para se perder um do outro.
O que encanta são as doces nuvens de Março.
Encontrei-me para então
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