sexta-feira, 4 de junho de 2010

Crenças

Quando me aquieto, penso tanto... Pensar é abrir os olhos. Tenho observado tantas coisas dessa nossa existência, que a cada dia que passa, sinto que somos tão só aquilo que queremos. Afligimos-nos tanto, exigimos ao máximo de nós mesmos e dos outros, quando na verdade, nossa luta é vã! Eu tenho sim, minhas certezas e verdades que jamais irão mudar, pois justamente de vivê-las é que as tenho. Eu não acredito que as pessoas consigam amar em unidade. Eu não acredito que o Divino pune. Eu não acredito que exista algum sentimento que seja eterno, por isso, ele só vive enquanto realmente faz sentido. Eu não acredito que quando se morre se deixa de existir. Eu não acredito que o passado faça valer alguma coisa no presente.

Eu não acredito que alguém consiga viver em paz, traindo seus próprios sentimentos. Eu não acredito que alguém possa amar outro, antes de si mesmo. Eu não acredito que alguém possa se sentir realizado provocando a dor alheia. Eu não acredito nos homens e em suas regras. Eu não acredito na fé do dinheiro e nos templos majestosos erguidos em nome da farsa. Eu não acredito em coisas que não vejo, por isso, acredito tanto em Deus, pois, o respiro, o sinto e o vejo a todo instante.

Eu não acredito quando me dizem que sou a metade que falta, pois, somos únicos, basta-nos somar apenas. Eu não acredito que alguém não possa acreditar no amor. Esse amor universal, desprendido e verdadeiro, seja ele, da maneira que for. No quê acredito, então, se sou tão descrente de tudo?

Eu creio é na divindade das flores, do sol, da vida... Nos sorrisos fáceis cobertos pela inocência. Nas palavras simples ditas em horas improváveis. Eu creio nas idéias bem distintas e cheias de razão. Eu creio nos olhos que me consomem por completo. Eu creio na paixão, porque essa nos move, nos flameja o sangue e nos excita a todo o momento. Eu creio na persistência em fazer o bem e no reconhecimento dos erros. Eu creio no amor como um todo, sem distinções ou vagos interesses. Eu creio nas palavras que me chegam vivas, ditas ou escritas da forma mais intensa. Eu creio no Deus que me fez assim e que me faz aceitar exatamente quem sou eu. Eu creio na alma e na fé depositada todos os dias.

Eu creio nas pessoas que somam comigo. Eu creio na palavra amiga que não julga, apenas compreende e aceita. Eu creio no sentimento de agora, que me dá forças para continuar seguindo, creio então, infinitamente no AMOR, que à mim não é simples palavra, e sim, um resumo dessa minha verdade, muitas vezes, inaceitável, mas, incrivelmente justa comigo, e isso, é o que importa. Eu não sei o que irá acontecer amanhã, por isso, cada minuto que vivo é um presente insubstituível.

Cada pessoa que conheço é um aprendizado, não importa se sorri ou chorei por conta disso. Devemos viver de tudo um pouco, pois, quem assim, nada experimenta, nada sabe dizer a respeito. Cada dia que passa é a vida acontecendo, e assim, não serei eu a arrepender-me de não tê-la vivido intensamente, finalizo com Drummond que um dia deixou escrito:

“ A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida
está no amor que não damos, nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do
sofrimento, perdemos também a felicidade.”

2 comentários:

  1. Que texto.
    Vejo:
    - Muito de mim, quando falas nas crenças e no amor. No espartilhamento do amor em variedades. Somos poucos os que conseguimos fazer isso. O amor é uma paleta de cores, cheia de variedades, todas com significado e características. Quando alguém fala em amor todos pensam que falamos, em automático, do de amante. E não. O amor que prima, e é universal, é a caridade. Que é cimentado num respeito imenso que te permite amar sem conhecer, só por ser pessoa, bicho ou coisa com vida que se cruza connosco. Somos nós, com certeza, a raça que melhor compreende o amor mal sucedido: Porque o conhecemos em diversas formas e detectamos melhor os erros de projecto;
    - Imenso de Alberto Caeiro, quando falas nessa ligação visceral com a terra e com as pessoas. No fundo, uma conexão com as coisas simples, de belas. Na verdade, Caeiro tinha razão, o belo é o simples, o natural.
    - Mensagens. Imensas mensagens. Que soaram a socos no estômago de muitos que passam ou passarão por cá. Pelo teu espaço. E também um auto-soco, a ti mesma, e a mim próprio. Uma explosão. Um grito.
    - O teu melhor texto em prosa, até agora. Parabéns.

    Beijo enoooorme!

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  2. Ah, isso é imensamente giro!!! Que bom meu amigo que essas palavras vieram de encontro ao que você também pensa. Fico imensamente feliz de saber que nos entendemos muito com relação as nossas verdades! Esse espartilhamento que tão bem você elucida, me faz pensar imensamente na situação de moldes aos quais muitos se tornam. Este texto tem muito de você, pois, através de um texto belíssimo seu, achei inspiração para este, e também, das minhas vivências, que não são muitas, mas, são intensas, assim como deve ser. Não deixo que me privem do direito de pensar nessas coisas, nem que me façam desacreditar em minhas verdades. Tenho dito, seja por verso ou prosa, que minhas verdades são à mim, a paz. Estar em paz é aceitar o que somos e o que pensamos. Não é objetivo meu fazer com que as pessoas aceitem as minhas palavras, mas, é objetivo meu, deixar claro que o entendimento é a parte mais importante do processo. Entender é pensar, e pensar é abrir os olhos como eu já disse. Não olhos de sempre, os moldados, mas, o que temos de verdade.

    Obrigada por dar ainda mais brilho às minhas simples palavras, e, como Caeiro, tenho dito e repito, o simples é o essencial.

    Um beijo, meu amigo português! É muito bom contar com sua presença e suas palavras que somam as minhas! Somos então, uma soma!

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