quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Saudade nova


Eu não sei mais sentir uma saudade.
Eu sinto todas.
Meu coração bate como o de um animal em fuga,
quando sua voz teima docemente em ecoar em meus ouvidos.
Você que dizia não ser poeta, me fez versos,
segurou minhas mãos e pacificou minha alma.
Não falou de amores impossíveis.
Nem de sonhos que jamais seriam realizados.
Simplesmente falou de nós e do raro que somos.
Tenho sentido falta dos seus olhos.
E das vezes em que segurava minha mão e dizia:
“ Você me fez ver um mundo novo”

Irei aguardar o seu regresso, como prometi.
Meus versos de agora, não mais anseiam
e nem me trazem um desconforto de adeus,
eles declaram somente essa saudade que tenho.
Uma saudade nova.
De alguém que eu já conheço há muito tempo.


Que bom que você existe.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Autorretrato


Louca? Sim, sou o que há de insensato,

e sou a razão na medida exata.

Iverto meu novo autorretrato,

para o sorriso que a lágrima não mata.

Poesia tão bonita


Eis a história que em poesia narrou-se em silêncio:

No desuso das palavras já não havia mais nenhuma promessa.
E o que um dia era sua saga constante de escrita,
tornou-se a falta de inspiração que antes dava-lhe pressa.

Que pressa era essa?
Toda, por assim acreditar nas próprias palavras as quais amava.
E os olhos enchiam-se de alegrias maiores e logo se esvaiam.
Então, o que era seu, nunca havia sido como ela acreditava.
Sua crença era somente porque ainda seus olhos se iludiam.

O que resta?
Escrever ainda resta. Deixar aos olhos do mundo o que se passa.
Hoje, nessa escrita autêntica, há um zelo raro de cuidado.
É como se cada palavra dissesse em tom de ameaça:
-“Não pare de escrever, senão, teu coração será calado”

O que tenho?
Eu tenho no peito um coração que grita.
O mesmo que sofre, sorri e acredita.
Eu tenho uma alma que sempre será aflita.
Eu tenho o aconchego dessa minha poesia tão bonita.

Reflexão sobre o amor

Quando uma pessoa ama, deve haver liberdade - a pessoa deve estar livre, não só da outra, mas também de si própria. No estado de pertencer a outro, de ser psicologicamente nutrido por outro, de outro depender - em tudo isso existe sempre, necessariamente, a ansiedade, o medo, o ciúme, a culpa, e enquanto existe medo, não existe amor. A mente que se acha nas garras do sofrimento jamais conhecerá o amor; o sentimentalismo e a emotividade nada, absolutamente nada, têm que ver com o amor. Por conseguinte, o amor nada tem em comum com o prazer e o desejo.

O amor não é produto de pensamento, que é o passado. O pensamento não pode de modo nenhum cultivar o amor. O amor não se deixa cercar e enredar pelo ciúme; porque o ciúme vem do passado. O amor é sempre o presente ativo. Não é "amarei" ou "amei". Se conheceis o amor, não seguireis ninguém. O amor não obedece. Quando se ama, não há respeito nem desrespeito.
Não sabeis o que significa amar realmente alguém - amar sem ódio, sem ciúme, sem raiva, sem procurar interferir no que o outro faz ou pensa, sem condenar, sem comparar - não sabeis o que isto significa? Quando há amor, há comparação? Quando amais alguém de todo o coração, com toda a vossa mente, todo o vosso corpo, todo o vosso ser, existe comparação? Quando vos abandonais completamente a esse amor, não existe "o outro".

O amor tem responsabilidades e deveres, e emprega tais palavras? Quando fazeis alguma coisa por dever, há nisso amor? No dever não há amor. A estrutura do dever, na qual o ente humano se vê aprisionado, o está destruindo.A mente que busca não é uma mente apaixonada, e não buscar o amor é a única maneira de encontrá-lo; encontrá-lo inesperadamente e não como resultado de qualquer esforço ou experiência. Esse amor, como vereis, não é do tempo; ele é tanto pessoal, como impessoal, tanto um só como multidão. Como uma flor perfumosa, podeis aspirar-lhe o perfume, ou passar por ele sem o notardes. Aquela flor é para todos e para aquele que se curva para aspirá-la profundamente e olhá-la com deleite. Quer estejamos muito perto, no jardim, quer muito longe, isso é indiferente à flor, porque ela está cheia de seu perfume e pronta para reparti-lo com todos.

O amor é uma coisa nova, fresca, viva. Não tem ontem nem amanhã. Está além da confusão do pensamento. Só a mente inocente sabe o que é o amor, e a mente inocente pode viver no mundo não inocente. O amor não conhece o oposto, não conhece conflito.
Compreendeis o que isso significa? Significa que não estais buscando, nem desejando, nem perseguindo; não existe nenhum centro. Há, então, o amor.

De Jiddu Krishnamurti adaptado por Jacque.

Simples e verdadeiro

Um dia perguntei à ele:
-O que você gosta em mim?
Ele simplesmente respondeu assim:

Amo o conjunto da obra!
Suas mãos delicadas que gesticulam seu pensamento robusto.
Seu pensamento harmônico, desvendado nos gestos das suas mãos.
Seus olhos furtivos, buscando a verdade e se escondendo dela.
Sua verdade delicada, a qual transborda dos olhos rápidos e meigos.
Seus passos e pernas, seu meneio lento, tranqüilo e forte.
Sua sutil figura, esculpida da mais linda jóia.
Sua boca bonita, de lábios lascivos.
Sua voz gostosa, repleta de novas verdades, das quais a gente às vezes foge por toda a vida.
Seu cabelo bonito, sua cor brilhante. Um fio de sua madeixa haverá de ter um turbilhão de prazer orgásmico.
Seu nariz bem feito, adorno de moldura rosto; a inspiração do ar que respira. O sabor que devem ter seu hálito...
A silhueta indefectível, a voz infalível, o cheiro único, sua existência: capricho dos deuses.
Essa doce embriaguês só por saber da sua existência.
A felicidade sem tamanho por saber que você se importa com o meu existir.
O mundo velho, sem graça, sem sabor, sem sentido, que agora virou um outro mundo novo, com tudo diferente e melhor.
Quer saber do que eu gosto em você?
Eu gosto de você toda.

Ele não mente, não me ilude e só diz isso à mim.
Isso sim, vale a pena.
Sabe por quê?
Porque é simples e verdadeiro

domingo, 27 de dezembro de 2009

Falsa rosa

Da beleza rubra escarlate sangra a falsa rosa.

A poesia da vida


Relevo qualquer acusação que é feita.
Eu não posso mais ponderar-me por motivos teus.
E nessa minha poesia que nunca foi perfeita.
Deixo somente um verso triste de adeus.

Um tempo que não existia, hoje me cobra.
Viva! O tempo é curto, tu és livre agora!
Olhe! O quanto o ponteiro se desdobra!
Nada mais te impede, abrace cada hora!


A realidade da vida.

Não há sentimento real aliado a desconfiança.
Não há existência se nem os olhos, podemos ver.
Por que te escondes nesta tua insegurança?
Irreal. De fato, tu não queres viver.


sábado, 26 de dezembro de 2009

Tudo azul


Enxergar a vida é melhor coisa que há. É tão simples e tão gostoso. Eu estou vivenciando a melhor fase da minha vida e isso tem sido simplesmente indescritível. Não há mais mágoas, na realidade nunca houveram. Eu tenho aprendido tanto, e graças a esta aprendizagem eu tenho me deixado ser livre. Eu tenho um milhão de problemas e todos os dias, tenho que lidar com culpas, mas ultimamente, elas estão se amenizando. Ao fim, irão desaparecer de vez. O mais interessante é que realmente aprendemos com a dor e com a indiferença. Eu não quero viver de mentiras e nem me iludir com coisas que jamais irão acontecer. Sempre tive a cabeça nas nuvens, fiz coisas das quais me arrependo imensamente, mas agora que a vida me sorri tão intensa, quero apenas retribuir à ela tudo isso. É uma pena que muitas pessoas não percebam a grandiosidade disso tudo. Aprender a se colocar sempre em primeiro lugar é fundamental. Alguns chamam de egoísmo, eu Jacque, chamo isso de maturidade. O bom disso tudo, é que ainda amo intensamente, irremediavelmente, loucamente... Sim, eu amo tudo o que me faz bem, livre e feliz. Bah, esse mundo é uma loucura deliciosa! Demorou tanto pra que eu pudesse enxergar a vida sorrir pra mim! Mas, valeu demais à pena! Gente, por favor... Sejam felizes de verdade! E vejam só, a felicidade é simples demais, ela está dentro de nós mesmos, basta-nos apenas enxergar a vida. Chega de quatro paredes! Chega de acreditar em coisas irreais! Chega de viver o que não é vida! Chega de esperar! Chega de acolher sem ser acolhida! Eu só quero é viver a vida!!
Vida, ei... psiu! Valeu, tu és linda e azul!!!

Bem, o ano está acabando e eu tenho a dizer que foi simplesmente o melhor de toda a minha existência. Eu simplesmente estou apaixonada por isso tudo!

Eu tenho vida em minhas veias
Eu tenho os versos em minha vida
Eu tenho o amor que sempre vale

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Sofreguidão [soneto]


Tu, que de devaneios outros se tem feito,
imortal letra desgarrada em pergaminho,
Diz-me agora o que há cá em meu peito,
Porque já não acerto mais meu desalinho.

Tenho pecado teu nome em cada fim do dia.
Tenho cantado a primavera que não existe.
Tenho fingido um verso em hora tardia.
Tenho a mão errada nesta letra que persiste.

Paira folha solitária do longe desgarrada.
Aquieta-se em meu também solitário canto,
e, faz de minha mão tua quietude esperada.

Deixo-me exaltar o mais profundo enlevo.
Pois, já não sei se amar vale toda paga,
E nem se a razão se faz presente no que escrevo.

Lágrimas, fatos e versos


Lágrimas

Que fazes aos meus olhos lágrimas teimosas?
Não sabeis que ao banharem a minha face,
Inundam minha alma de tristezas generosas?

Não sabeis que a alegria fazia aqui morada?
Por que insistem em tomar este lugar?
Deveriam já ter cessado aqui a permanência.
Para mim, seria só um dia que eu haveria de chorar.
Já me era de costume só tê-las em vãos momentos,
Mas, vejo que insistem em ficar ignorando a minha clemência.

Logo eu que vê inutilidade em lágrimas?
Logo eu que as trato com insignificância?
E o meu “eu” que ainda não regressou?
O que há?
Eu não sei.
Só sei que revivo um antes.
E acumulo uma dor que ainda não cessou.


Fatos

É como se tudo viesse ao mesmo tempo.
Todas as análises, fatos, mentiras e verdades.
Pensei que a mim isso nada importava.
Mas, as lágrimas lavaram meus olhos,
Fizeram-me enxergar o que eu merecia.
Eu não era aquilo que eu falava.
E nem conseguia suportar como eu dizia.

Eu não suportava, eu apenas mentia.
Mentia pra ter um pouco de ti.
Pra escutar qualquer “amo você”,
porque assim eu precisava.
Agora, de olhos lavados e alma sofrida,
tenho notado que eu vivi mais a ti do que eu.
Deixaste-me sozinha, e nada era como antes.



Versos

E os versos foram erros meus, quem sabe.
Quando se ama, erra-se muitas vezes,
por que o amor no peito não cabe.
Eu só sei fazer fazer poesia.
E destino os versos aos teus olhos negros ou claros,
Agora devo dizer-te dessa minha agonia,
Dizer-te que não sei o que há de fato.
E que nesses momentos a mim não tão raros,
Prefiro não mais privar-me da razão.
Logo eu, forjada em sentimentos.
Louca por versos, letras, músicas...
Louca por ti.
E por isso, deixo o que sinto aqui.
Pra que saibas que estou perdida.
E nem sei se é verdade tudo que eu vivi.
Só sei que procuro outra saída,
mesmo sabendo que já tentei e não consegui.

Eu quero não mais ler tuas linhas.
porque não sei se algum dia foram minhas.
E essa doença sem cura,
que me faz escrever sem parar,
deixa-me perto da loucura
que só me faz sentir e dizer:
Que eu jamais deixarei de amar.

E por amar eu entendo, sinto, choro, poetizo...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Solitude

Amanhã quem sabe...

Eu sou como o rochedo esquecido que a onda bate e recebe aos poucos novas formas. Conforme as águas o tocam, seja de maneira calma ou enfurecida, ele apenas recebe, fazendo-se de forte e altivo. Assim, eu sou. Eu tenho uma necessidade contínua de extasiar-se. Eu preciso entorpecer-me de fúria e destinar meu tempo ao agrado de alguém. Eu preciso de um adeus, esquecimento ou qualquer outra coisa que me faça precisar mais uma vez de mim. Eu preciso dormir e viver em sonho toda essa confusão que me atormenta. Já nem sei quem sou quando meu “eu” foge por essas madrugadas a procura de um nada. Hoje sou o equilíbrio amanhã a desordem absoluta. Não posso mudar isso porque nada em mim realmente muda. Apenas ficamos com mudanças óbvias. Mudam-se as estações, as formas do rochedo e os sentimentos que nos movem. Hoje eu não destinei uma palavra amiga, nem um sorriso falso. Hoje, eu ainda não dormi o ontem que tanto me faz dizer da minha força. Eu sou mesmo uma antítese que se personifica, porque agora eu odeio com todas as minhas forças. Odeio tanto que meu sangue esquenta a ponta dos dedos enquanto meus pensamentos me fazem escrever qualquer coisa que ninguém entende, somente você. Eu brigo comigo só pra me magoar, pra que eu olhe no centro do espelho e diga: Vá, restitua-se! Você pode! Você sempre faz isso... Faça isso sozinha! Você só tem você e mais ninguém! Tem dias que eu não posso e nem quero... Dias em que o escuro do quarto é melhor que qualquer sol. Vou cultuar meu lado sombrio, que agora enlaça meus pensamentos, fazendo reviver mil vezes o grande erro que eu fui. Hoje eu sou o desequilíbrio, o errado; o desacerto; o ódio e o não entendimento. O prazo de estar bem esgotou-se , assim, do nada, sem nenhum motivo. Hoje eu não sei o que é amor. Eu não sei de nada. Eu quero apenas dormir, mesmo que não seja noite. Eu quero esquecer tudo, mesmo que eu jamais consiga. Hoje, mais uma vez eu quero dizer a mim mesma: “ Aceite as coisas como são, vá em frente. Continue fingindo, assim, os dias passam mais depressa.” Mas, infelizmente eu não consigo. Amanhã quem sabe...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Poema


Dorme todo o segredo um dia revelado.
Não mais pairam a beira do cais os velhos barcos.
Nem as lágrimas remetem ao sentido errado.

O amor vem ao longe aportar nos corações seguros.
Não se fixa em amarras ou dependências doentias.
Quem ama não segue por caminhos obscuros,
nem vive de lamúrias ao passar dos dias.

Por amor nos deixamos levar por todos os oceanos,
e por toda grandiosidade do infinito firmamento.
Em águas mansas seguimos serenos sem desenganos.
E nesses céus nos levamos pelas asas de um vento.

Os que amam encontram paz ao longe,
de tão perto que estão da alma.
O amor alivia qualquer dor maior que trazemos ao peito.
E no amor sincero é que sentimos a eterna calma.

Eu agora faço do meu amor a poesia:

Mesmo sabendo que nada mais há de ser feito.
A não ser deixar os versos que a ti escrevo.
Pra que saibas desse amor que tenho em mim.
E se na poesia revelar-te o meu amor eu me atrevo,
Saibas que esse atrevimento jamais terá um fim.






sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Apontamentos III


A palavra de agora, não é árdua e nem remete injúrias,
apenas preenche as fendas abertas pelo não dito.
Carrego em minha face tudo o que sou.
Tenho aceitado e aprendido sobre a vida,
e enxergo em mim toda a necessidade que procuro.
O medo já não me abraça como antes.
Tenho é uma eterna e desmedida impaciência em viver.
Viver de beijos ou de lágrimas, não importa.
Só não quero viver de mentiras.
Quero me fartar até das coisas que eu não tive,
e divagar mil vezes sobre qualquer coisa que me cure.
Eu quero gritar até que me peçam silêncio.
Quero me calar até que peçam para ouvirem a minha voz.
Quero escrever até que meus dedos sagrem.
e, quero amar quantas vezes for preciso,
Só para sentir minha alma plena e segura.
Nada mais justo que o amor.
Pobres daqueles que se confundem.
O amor é livre como um pássaro do céu.
Não suspeita mal como dizem,
Nem ao menos faz com que o ódio tome o seu lugar.
Sinto-me como água limpa, vento tranqüilo e flor que acaba de nascer.
É como se o mundo fizesse sentido a cada novo segundo.
E a vida sorrisse como criança em dia de festa.
É tão simples viver tudo isso.
É tão fácil amar exageradamente.
Amar a você mesmo, depois o outro... E os tantos outros que existem.
Eu sei tanto sobre mim que agora me esqueço de tudo.
É bom saber aceitar certas coisas e agradecer a elas.
Meu sorriso que um dia foi esquecido em qualquer canto,
hoje, não mais me abandona.
Chorar? Sim, faz bem quando choro.
A alma fica limpa.
Em mim não há confusão.
Vivo agora o que os outros não vivem,
simplesmente porque aprendi sobre quem sou,
Mesmo sem saber ao certo sobre isso.
Sou poesia, quem sabe...
Sou um tormento ou uma calmaria sem fim.
Sou um coração que no peito não cabe.
Sou essa escrita e serei sempre assim.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009


Jacqueline, cale a boca!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Your Guardian Angel

O que importa


Meu desequilíbrio se torna estável em sua presença.
Seu modo de me olhar denuncia as facetas do pecado.
Meus movimentos oferecem a você todas as minhas vontades.
Sua calma desordena meus impulsos.
Minha insanidade aparente se rende a sua razão absoluta.
Seu ritmo certo e sereno destoa quando meu corpo toca o seu.
Minha paz esquecida abraça-me como velha conhecida.
Seu sorriso de menino se revela quando digo certas coisas.
Minha palavra é só sua, tenho dito e não nego.
Seu cuidado é minha cura mais esperada.
Minha vida ressurge em várias vidas ao teu lado.
Sua mansidão me guia por onde eu pensei não ter saída.
Meus extremos de alguma forma te encantam.
Seus olhos não me negam a tranqüilidade que almejo.
Minha solidão encontra conforto em teus braços.
Seus olhos são minhas veredas intermináveis.
Minha alma é o seu abrigo dessas horas inquietas.
Sua mão é meu porto procurado.
Meu coração é paladino corajoso em dizer que sente.
Seu jeito de sentir é verdadeiro e nobre.
Nós somos o que há de ser sem medos ou arrependimentos.
Somos, e isso é o que importa.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Eu te amo


Tantos sonhos em meu peito se despertam,
E a alma já não morre prematura.
Tenho a febre dos que amam em demasia.
Recubro-me dessas flores em candura,
E deixo-me levar ao som da mais bela melodia.

Sinto-me reviver em novos ares,
E alma desejosa queima em chamas,
Já não há em mim lamentos ou pesares,
Só quero ouvir de ti o quanto me amas.

E enquanto o tempo se desdobra,
E as auroras me trazem aquilo que já sei,
Irei deixar-te os versos que a esta folha sobra,
Para que saibas que cumpro o que um dia lhe jurei.

Pudera eu adiantar o dia do nosso beijo esperado,
E dizer-te sem demora desse meu desejo insano,
Que viveria e morreria contente ao teu lado,
Dizendo-te mil vezes: Eu te amo! Eu te amo!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Sigo...

Sou o que há entre o segredo e a revelação.
Vivo na desordem dos pensamentos.
Não procuro os caminhos mais fáceis.
Não vivo como se minha vida fosse outra.
Apenas conceituo minhas imperfeições.
Sou duas, tenho dito.
Feita de extremos.
Do amor ao ódio.
E nessa loucura necessária que sustenta a alma,
Sigo olhando além das coisas...

Amor


No sopro do vento
No balanço das folhas
No pousar dos pássaros
No deslocar das nuvens
No cheiro da terra molhada
Nas gotas que se emparelham
Nas flores que se rompem
Nas cores que se formam
Nas formas que se fazem
Nos olhos que me encantam
No sorriso que me prende
Na voz que me acalma
No gesto simples
Nas doces canções
Na paz que emana
No olhar de desejo
Na timidez que expressa
Na loucura que se cala
No silêncio que tudo fala
Nas paisagens que tanto amo
Ao nosso modo
Do nosso jeito
E só teu nome que eu chamo
Por estes caminhos tortuosos
Aos quais você depositou flores
Para que eu te siga
Porque sei que somos um equilíbrio
Uma rota
Um passo certo
Uma fuga desse mundo infame
A cura de uma dor
E a isso, damos um só nome:
- AMOR-

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Desejo-te


Ter que ocultar
Mascarar tudo
Até a fala
O verso
Minha cara
Meu verdadeiro universo
Sob a sombra da noite
Sob o disfarce da morte:
Ocultar algo vivo
Viva carne em febre
Trêmula carne frouxa
Mais uma noite
Navegar os sonhos
O oceano dos que vivem bem
Esperando o momento:
Certo para atravessar todas as barreiras
Oculto no oculto
Um ósculo
Só isso
No silêncio dos sonhos
No meu mundo interior
No universo infinito
Habitado por dois apenas

Quando penso em você...


Quando penso em você... Eu morro de saudade. Parece que não te vejo há séculos. Fecho os olhos e me lembro do teu sorriso lindo, teu jeito cativo e tua atenção. É tão bom quando você me acalma e me diz que a minha maluquice te encanta e que minha luz consegue iluminar até as mais tenebrosas almas. Você diz as coisas certas nas horas adequadas. Você me faz sentir especial, pelo simples fato de dizer baixinho: Calma, vai ficar tudo bem, ouça essa canção. Eu ouço as tuas canções que já são tão nossas. Eu adoro os teus planos, dizendo das coisas que iremos fazer e sentir. Adoro você me aconselhando que eu me vingue do mundo, sendo apenas feliz. Gosto quando você diz que o que te importa é me ver sorrir. Gosto dessa mágica que nos envolve. Eu gosto de você demais, porque você me fez gostar de mim. É... Realmente... Nós vibramos em outra freqüência, diferente de tudo. Nós vivemos em outro mundo... No nosso mundo.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Amar assim

Por que você me faz
Feliz demais
Sendo quem és.

Ama-me assim, como somos.
Deixe distantes os desacertos,
Porque no final, tudo sempre dá certo.
Ao nosso modo nos amamos
E o nosso longe é tão perto.

Repousa em mim tua alma cansada.
Vem que te espero.
Vou porque te amo.
Aqui te amo, e o resto não é nada.

E deixo teu nome aqui num verso feito.
Não aos olhos dos que lêem,
Mas, em mim, cravado ao peito.

O que me importa é saber que sempre estas aqui.
Sempre regressas ao meu colo, e nele tem teu nome.
Eu amo o teu jeito meigo de guri,
Pedindo o beijo que tanto nos consome.

Peça amor! Peça o que quiser de mim.
Porque a poesia nunca morre.
Para os que amam assim.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

À flor da pele


Tuas mãos valsam a minha inquietude. Teus olhos devoram-me sem nenhum arrependimento, sou toda tua e nada mais me resta. Quero o calor do teu hálito percorrendo minha pele, desejando-me como um insano. Quero sem medidas, pudores ou qualquer compostura. Quero molhar minha boca na tua e escorregar minhas mãos em teu corpo. Quero me queimar e fazer de mim teu prazer absoluto, tua loucura mais louca; teu desejo mais oculto e tua vontade mais desesperada. Quero que sinta o calor da minha pele, a maciez dos meus lábios e diga-me que és meu por inteiro. Domine meus instintos e depois me fale baixinho o quanto se sente completo ao meu lado. Faça tudo de novo, da maneira mais escandalosa, romântica e doce. Não ache sentido, apenas viva comigo os que nossos corpos e almas tanto querem. Eu quero um beijo teu escondido ou escancarado, não importa. Quero que não demore em tirar minhas roupas e nem depressa vá embora. Quero que os teus olhos sedentos percorram minhas curvas e mistérios. Quero experimentar o gosto do pecado em teu corpo. Eu te quero em mim como uma poesia arraigada aos sentidos mais íntimos.

A poesia que somos


Nessas manhãs onde o sol se debruça sobre os campos serenos,
As libélulas faceiras sobrevoam em valsas o lago mudo,
Tocando as açucenas que se beijam em movimentos pequenos,
Inspirando-me a dizer do meu amor que ainda é tudo.

Fico a olhar-te nessas horas onde o amor para junto ao tempo,
E o espelho das águas frias, revelam teus olhos de encanto,
Só eu e ti sabemos o que é viver em entendimento,
E não há razões para que em mim favoreça o pranto.
Eu te amo e tu me amas, e só nós dois, sabemos quanto.

Não gasto horas traduzindo queixas e nem lamúrias infinitas.
Apenas amo, e descanso a margem de tudo o que longe se passa.
Tu és a única certeza que tenho junto a essas paisagens tão bonitas.
Tu és a razão mais pura de cada verso que minha mão traça.

És meu refúgio em horas em que a inspiração foge em agonia.
Meu alívio deste mundo muitas vezes distorcido e insano.
Tu és a medida perfeita da rima dessa minha poesia.
Tu és aquele que jamais negarei que amo.

Não há esperanças nuas nem falsas promessas vãs.
Não há intranqüilidade em nossa morada escolhida.
Somos a paisagem simples e singela dessas manhãs.
Somos toda a poesia que resta-nos ainda.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Liberdade, música boa e amores efêmeros




O que é vida senão uma infinita highway?

À rosa

Minha rosa linda
Por que estais tristes ainda?
Quando a tua beleza trás vida ao mundo!

Minha perfeita rosa
Tua dor me incomoda
Sinto em meu espírito teu desalento profundo

Flor única entre flores
Ei de tratar de ti
Curar-te ei as dores
Far-te-ei sorrir

Tuas pétalas lilases a murchar
Cabelos lisos no tempo a esvoaçar
Tuas verdejantes folhas a desbotar
Alegria que a dor da solidão impinge adiar

Flor bonita
Da solidão prisioneira
Liberta-te por um segundo
Em tua luz, leva-me na esteira
Causa frisson no mundo
Com uma pueril brincadeira
Um resquício do teu perfume
Leva-nos ao deslumbre e cegueira

Onde parece não haver solução
Quando o mundo se cala diante do teu rogo
Todos os tolos, emudecidos com pétreos rostos
Procurar resposta é ato vão

O mundo já está consertado
Tua existência, rosa, fez-lhe o remendo
Ao ver tua face, o dia brilha mais ensolarado
Ao sentir tua presença, o cataclismo se torna ameno

Tua solução
A solução do mundo
Em um gesto profundo
Movimento de mão

Sorriso de soslaio
Toque de pele furtivo
Num cumprimento comedido
Acima dos olhos e ouvidos

Além do pó da terra
Mar aberto acima das trevas
Dos olhos do mundo todo
Lugar feito para espírito grandioso
Onde a nau dos intrépidos navega

Lá, ei de te encontrar
Farta-te de mim
Como me alimento de tua luz
E
Já que
o mundo não pode ser perfeito e risonho
Então que seja perfeito esse amor em sonho


* Obrigada

sábado, 5 de dezembro de 2009

Hoje, eu sou menina



Hoje, eu sou menina
Não corrompam meus sonhos!
Quero que um menino beije minha mão
Quero que ele me dê flores
E escreva nossos nomes num coração
Quero deitar na grama e olhar as nuvens
E concordar com ele que elas são feitas de algodão
Quero trocar uma carta
Dizendo qualquer verso puro
Quero pedir que ele que se case comigo
Mas, antes disso, me encontre atrás de um muro
Pra dizer que não quer ser apenas meu amigo




sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Vórtice serena

Vórtice serena de mim, acalenta meu suspiro e pranto
Ressoa teu som para eu encontrar meu recanto
Esvoaça meu pensamento nessa folha em branco:

Quero ouvir o vento varrer qualquer maior desacerto
E nesse turbilhão de pensamentos, quero a brisa mais calma
Quero o sussurro suave da paz que eu mesma inverto
Quero tua voz levando-me junto nas paragens da alma.






quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nossa dança de amor


Tu és meu refúgio de qualquer hora
Em tua boca hei de buscar minha paz
Quero beijar teu sorriso agora
Quero fartar-me de ti, e ninguém mais

Busca-me naquela canção
Onde ao ouvir segurei tua mão
E tu me disseste:
Alinhe teus olhos aos meus e
Sinta quanto bem me fizeste.

Em ti, vi o que sou
E mim, viste o que és
E na suave dança, entrelaçamos os pés
E a minha boca sedenta, a tua beijou

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Verdades escritas



Olhemos para o céu. Há nele imperfeições? Existe numa flor a maldade? Existe numa revoada de pássaros a impureza? O que somos nós diante de tudo isso? Folhas em branco. Escrevemos tão só a nossa própria poesia. Mas muitos nós, pensamos ser os detentores de toda a verdade. Não sabemos de fato da vida de ninguém, matamos nossa própria poesia. Sentamos no trono do egoísmo e ditamos as regras. Deixamos a vida crua. Tornamos-nos possuidores uns dos outros julgando isso ser sentimento verdadeiro. Breves... Como são breves nossas certezas, dissolvem-se em meio aos nossos julgamentos imaturos e superiores. Impomos aos outros as nossas verdades, sem saber de nada. Como somos tolos e insensíveis. Como podemos então gritar aos quatro ventos sobre o amor? Quando fazemos de nós mesmos seres ignorantes. Imperfeitos, somos todos, apenas devemos aprender a reconhecer isso.


A vida é poesia e sentimento. Quem sente não pode ser falso. Quem vive de poesia, não consegue viver de mentiras. As pessoas pensam o amor, no total egoísmo. Limitam o amor aos seus preciosos olhos que tudo enxergam, pois se sentem assim, donas de todo conhecimento e de toda a verdade. Alguém sabe o que é amar alguém verdadeiramente? Amar sem ódio, sem ciúme, raiva, sem procurar interferir no que o outro faz ou pensa, sem condenar, sem comparar? As pessoas conhecem profundamente a história de vida de cada uma para julgá-las? Não, elas preferem encontrar a pior maneira para imporem seu egoísmo, preferem sempre os piores caminhos, dentre eles, o da ignorância.


Por isso, prefiro o céu, as flores, os pássaros... Prefiro essa minha poesia de cada dia que relata o que sinto na alma. Prefiro os sentimentos às mentiras, e isso, só eu sei como é, mais ninguém. Sinto-me no privilégio dos versos e no prazer da escrita. Só quem sabe disso, pode ser capaz de me entender nesse momento. Quem não sabe, segue a vida a passos de ganso, acreditando na verdade que lhes cabem.

domingo, 29 de novembro de 2009

Enquanto tu dormias

Um feixe de luz se debruça sobre os pinheiros. A terra emana o cheiro ainda recente da chuva da noite passada. Alguns pássaros saltitam nos galhos brincando com as folhas das árvores. O dia vem de braços abertos, acalentando todos os detalhes que gosto, desde o ressaltar das cores das rosas ao imponente jequitibá moldurado pelas folhas da nova estação. Encontro-me nesses traços, refaço-me no brilho celeste que banha meus olhos dando-me vida, oferecendo-me possibilidades. A vida é tudo isso que vejo agora. O amor, o entendimento maior e a compreensão de qualquer desacerto.Tu és meu barco nesse mar de pensamentos.

Amo-te tanto, e nessa simplicidade grandiosa do que sinto, ouço a melodia mais harmônica, vejo as paisagens mais lindas, porque faço da minha vida poesia e sentimento. Exageradamente sinto, e tu sabes disso. Sinto teu abraço nessa hora, quando lentamente teus braços me tocam, pedindo-me esse carinho só nosso: Eu amo você. Tu me amas? Então sorrio, e digo-te, olhando nos olhos, os versos que escrevi, enquanto tu dormias:

Ao passo que essa luz contempla o nascer do dia,
meus olhos perseguem o seu tranqüilo sono.
Vejo-te como o mar respirando em calmaria,
e tenho em mim, a única certeza: Tu és o homem que eu amo.

sábado, 28 de novembro de 2009

Aqui te amo


As cortinas bailavam ao ritmo do vento que anunciava a tempestade. Deitada na cama eu ouvia ao longe os uivos entrecortando os galhos secos onde as últimas flores de outono se desprendiam. Fecho a janela. A casa está fria e a luzes das velas fazem sombra aos móveis gastos. Olho algumas hortênsias já desfalecidas em um vaso de cristal que ganha um tom amarelado quando deixo em sua companhia o castiçal que me acompanha pelos corredores. Sento na poltrona de veludo, agarro meu livro de poemas e fico a viajar nos versos que tantas vezes foram nossos aliados em noites como essa.
Divago a lembrar teus olhos languidos quando lias em tom compassado, docemente enamorado de cada estrofe que fluía ao som desse acordes que os embalavam. Lembro-me de como tu sorrias ao ler meu poema predileto, dizendo-me sempre mesma coisa: - De novo, meu amor? E depois recompensavas afirmando que leria mil vezes se assim fosse, só para ver meus olhos sorrindo de satisfação por aqueles versos. A poesia era nosso alimento, o amor nosso guia em todos os momentos. Não há um dia em que eu não relembre os teus gestos, gostos, defeitos e qualidades.
Não há um único dia mais importante do que todos que estive ao teu lado. Tu foste a descoberta mais linda, o beijo mais esperado, o abraço mais sincero e o sorriso mais doce. Lembro-me da lareira que aquecia nossos pés gelados quando nos jogávamos no sofá, procurando um ao outro para fazermos amor à nossa maneira intensa e única. Lembro-me das taças de vinho ao chão e das rosas que tu sempre colhias à tardinha e trazia nas mãos o cheiro novo de cada uma. Tuas mãos. Nada era mais sublime que tê-las em mim. Quando me pedias silêncio, colocando os dedos em meus lábios: - Xiiii! Tu falas muito, beija-me! Somos tanto. Ainda somos. Veremos-nos em breve. Ainda te amo, e, deixou-te aqui, os versos que sempre o trazem de volta pra mim:

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforesce a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Define-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo a onde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Minha palavra exata

Minha palavra exata pulsa diante da folha branca,
onde a alma anseia a liberdade do meu ser.
Nesse trívio caminho, basta-me uma única escolha:
-Escrever –

Na mão a palavra nasce, cresce e viceja.
Como a verdejante amoreira que acolhe o vento.
Como os nimbos que desenham para que eu veja.

A palavra jamais é vazia ou breve.
Pra que tê-la então, se ela a ti, nada serve?

Nós poetas diante a glória invejável da escrita,
somos tão só o sentimento revelado com fervor
através da verdade mais pura, intensa e bonita:
-O Amor-

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Das rosas que colhi


Colhi as rosas esta tarde para contemplar delas a beleza.
As deixei junto aos versos pra que tu saibas do meu amor.
Enquanto as cores serenas se matizam a luz da vela acesa,
respiro estes ares solitários que ao peito trazem uma antiga dor.

Gosto dessas horas que faço companhia a estas flores.
Sou quem sabe um delas a espalhar o belo e o espinho.
Sou quem sabe aquela que jamais viverá os seus amores.
Sou quem sabe essa ânsia desmedida de carinho.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Delírios poéticos

Abandona em meu corpo teu beijo apaixonado.
Contempla minhas formas através das sutis cortinas.
Desenha-me em teus olhos como estátua de mármore talhado.
Faz-me pertencer a tua boca no desejo das horas repentinas.

Detenha-me em tuas mãos como a Vênus despida e palpitante.
Traga-me o êxtase do mais puro vinho já consumido.
Faça de mim a harmonia de toda sinfonia existente.
Sinta-me como quem aos céus já tem subido.

Beija-me como quem procura água em desespero.
Domina minha alma com teu corpo flamejante.
Desvenda-me, desnuda-me por inteiro...
Sinta o beijo dessa boca delirante.

Faça-me em mil suspiros de carícias mais intensas.
Conte-me teus desejos guardados ao pé do ouvido.
Deixe nossos corpos bailarem nessa dança,
onde o ritmo é o som insaciável do nosso gemido.





sábado, 21 de novembro de 2009

Nossos versos


Por amor aos olhos teus, esse coração que a existência consome,
deixa-te versos mesmo depois de passada a doce primavera.
Troco a lágrima pelo riso e sigo a dizer eternamente teu nome,
junto a essa lira de amores que minha alma de venturas te espera.

Deixa-me dizer-te amor, dessas noites que no leito já deparo,
debruçada aos teus pés irei velar teu sono calmo e singelo.
E mesmo que seja o mundo nessa hora um desamparo,
dou-te de toda fé que tenho e do amor que é nosso elo.

Meus incógnitos desejos deixam as horas estéreis no infinito.
Não há em mim delírio maior que ver-te acordar com um sorriso.
E se nada mais hei de dizer a outros o que eu sinto,
Direi somente a ti, que ganhei asas e no chão eu já nem piso.

Tu és o colibri que repousa no frouxo véu de tarde desfolhado.
Tu és dono de todos os versos meus somente a ti escritos.
E mesmo que um resvalo de lágrima tenha a tua face apoderado,
irei fazê-lo crer que essas, já não possuirão teus olhos tão bonitos.

Nesses versos um beijo de alma suspirosa eu lhe trago,
Para que tu saibas que o sol ainda brilha no caminho.
Irei dizer-te que és meu céu e eu sou teu manso lago,
e dou-te a mão pra que tu saibas que jamais seguirás sozinho.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

A luz

Uma luz rutila no celeste azul do firmamento
ao passo que as nuvens se desenlaçam
numa dança fiel junto aos pássaros em liberdade.
Nesses oníricos presságios, meus medos se alcançam.
Aos tragos amargos e míseros, bebo os lamentos.
Enquanto se alastra no peito a dor infeliz de uma saudade.
Tenho a alma de retalhos onde um grito exalta minha dor.
E nesses brados de agora nada mais cerra minha vontade.
Sou passageira de um tempo que desgarrou-se dos ponteiros,
Venho ao encontro das alvoradas edificar um castelo de paz.
Tenho as vestes brancas da luz que um dia sanou minhas feridas.
Caminho entre as brumas frias que entrecortam árvores antigas.
Encontro o sol em meio a essas névoas frescas permanentes,
para bendizer em santidade de outros tempos de lamúrias,
aos olhos dos que ainda são descrentes.




Soneto de mansidão


Pouso meu semblante calmo em uma nova paisagem.
Minhas inquietações das noites de insônia não mais vigoram.
Sou a poesia grata aos meus olhos de miragem,
e o rubro sereno vívido das rosas que afloram.

Pairo sobre uma primavera de rara imensidão.
Não recorro aos desamores e nem aos vãos dizeres.
Meu ermo agora povoa-se de mim em vastidão.
Completo-me nos meus intensos quereres.

Como o plácido lago que espera o toque do vento,
acalmo o meu vago respirando o amor que tenho,
seguindo como quem vive somente de acalento.

Tenho a alma calma dos dias de mansidão.
Sigo escutando o eco dos meus passos,
Como quem escuta o destoado coração.




segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Después de todo te amaré

O telefone toca umas três vezes, sei que és tu. Meu coração perde o compasso, minha respiração acelera-se, respiro fundo e atendo. Finjo sorrir ao telefone, para que sintas que estou bem. Mentira. Tu logo percebes que não é nada disso, mesmo assim, finjo. O cumprimento como o de costume, digo que está tudo bem e pergunto sobre ti. Tendo não absorver o sussurro da tua voz macia e gostosa, apenas escuto, deixo passar pelos ouvidos. Tento fazer isso a princípio, mas, não consigo.

Aos poucos, tu me envolves, dizendo-me das coisas de antes, da tua saudade e da imensa vontade de estar comigo. Pede-me para que eu te cuide, fala-me da estranheza do que somos, e de que me ama e me odeia ao mesmo tempo. Apenas ouço, e minha vontade nessa hora é ofendê-lo, dizer das mágoas e das lágrimas. Tendo falar, mas, tu não me deixas:
- Cala-te! Cala-te!
- Sim, calo-te com um beijo meu.

Fecho os olhos e ouço tua voz ao meu ouvido. Fico a imaginar tua mão em meu corpo e uma vontade queima-me por inteira. Sinto tua respiração ofegante dizendo-me:
-Ama-me! Ama-me, por agora!

O que somos? Loucos? Confirma-me isso pelo menos, pois se assim, louca eu sou, não há outra maneira de não amar-te. Amo e não sei o que somos e nem o que seremos, mas eu sei sobre tu e tu sabes sobre mim. Ama-me e odeia-me. Faço o mesmo por ti. Acolha-me em teus braços, por esta noite e não uma vida inteira. Sem promessas. Viver o que somos é o que importa. Faça como sempre, sussurre baixinho:

Después de todo te amaré
como si fuera siempre antes
como si de tanto esperar
sin que te viera ni llegaras
estuvieras eternamente
respirando cerca de mí.

Depois disso, peço que me espere, logo estarei chegando.

domingo, 15 de novembro de 2009

Desespero de quem escreve


Onde termina cada linha recomeça outro desespero.
Sou agora assombrada pelas palavras e as lembranças que desenterro.
Fragmentos completos da desordem métrica do erro.
Inútil é tudo isso que eu escrevo!
Vejo o talhe feito no papel pelo ruim da minha mão.
Ferida aberta que sangra da tinta que aos versos dão.
Condenei-me a viver nesta maldição.Rima maldita!
Não percebes minha sofreguidão?
Sem rima vou riscar qualquer papel
E alguns irão dizer que fiz poesia.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Segredo


Sentir solidão a dois.
Sentir tanto ao ponto de extasiar-se.
Sem culpas ou promessas.
Culpas não existem.
Promessas jamais se cumprem.
Ser livre é prender-se num segredo.
Num beijo roubado.
Num canto só nosso.
Sentir solidão a dois.
Fazer de dois um só.
Dividir um medo.
Não saber como agir com as mãos.
Tocar um corpo aflito.
Esquecer os olhares frívolos.
Dias e horas,
sermos insensatos com a razão.
Dou-te um segredo.
Devolva-me outro.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009


A Maçã
Raul Seixas

Composição: Raul Seixas / Paulo Coelho
Se esse amor
Ficar entre nós dois
Vai ser tão pobre amor
Vai se gastar...

Se eu te amo e tu me amas
Um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais...

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar preso
Que nem santo num altar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

Quando eu te escolhi
Para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma
Ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi
Que além de dois existem mais...

Amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro, mas eu vou te libertar
O que é que eu quero
Se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deitar...

Sobras

Tudo que sei de mim resume-se agora em um pranto.
Eu posso ser um pássaro ou mesmo uma flor pequena.
Eu posso transcender minhas loucuras numa folha em branco,
mas somente eu sei dizer quando realmente vale à pena.

Hoje é um novo dia.
E assim, ainda mais me afasto.
Mesmo que em versos eu muito tenha gasto,
ainda sobra-me um amor de maior valia.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fruto azedo


Faço poesia lembrando-me do doce sal da tua boca.
Recorro a uma prece vã.
Que me adianta dizer-te desta agonia?
Se agora experimento o gosto podre da maçã.

Escrevo como quem navalha-se.
As palavras esbarram-se umas nas outras,
Implorando liberdade.
Voa palavra minha! Inverta meus sentidos!
Porque só tenho tido,
o gosto do fruto azedo da infelicidade.

Fruto azedo. Gosto de nada. Verso eterno.
Concordo com Bukowski:
“O amor é mesmo um cão do inferno”

Derradeiros versos

Mesmo gritando, calo-me diante dessa ainda acesa chama.
Em atalhos mais escuros irei achar outros caminhos.
É infinita a dor do peito daquele que somente ama.
São martírios provocados pelos mais duros espinhos.
Enquanto na pureza do papel, um verso triste só reclama.

Amar e sofrer, ainda que poético, é padecimento sem fim.
Desculpem-me, não sei achar outra maneira nobre,
a não ser traçar nestas linhas, a verdade sobre mim.

Fim.

Mísero destino.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Versos insignificantes


Eu vi um desacerto d’alma,
e sorvi o sal da lágrima que chorei.
Perdi o restante da minha calma,
ao relembrar o quanto amei.

Como pode a insensibilidade deixar tamanho fel?
É como cantar o amor, sem saber o que é,
e viver no inferno pensando ser o céu.

Vou deixar as manchas nódoas pra que eu veja.
Pois, meus olhos clamam que eu enxergue.
E mesmo que em meu peito o amor ainda esteja,
Vou gritar mil vezes até que eu negue.

Não sei odiar, nem sei fazer uso de vãos sentimentos.
Deveria eu aprender a não ter coração,
e maldizer mil vezes teu nome em lamento,
só para que saibas o quanto dói uma desilusão.


segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Simples assim

Nada mais que uma poesia nua.

Um nada.

Uma queda irreparável.

Uma verdade crua.

sábado, 7 de novembro de 2009

Ao tempo que somos

Vivo a margem isolada no canto esquerdo aonde ninguém chega.
Mesmo assim, faço-me aqui sempre presente aos que se ausentam.
Preciso contar as horas de maneira segura e recorrer ao meu tempo.
Um tempo carregado em asas de pássaros e sopro de vento.
Eu sou tão necessária a mim, que me torno duas.
Olho do alto o tempo que discorre e os outros que caminham logo abaixo.
Caminham sempre iguais, a passos longos ou curtos, mas sempre do mesmo jeito.
Eu aqui pairando entre estas nuvens fico a imaginar sempre em reticências.
Há em mim um gosto por coisas abstratas e metafóricas.
Enquanto os outros são feitos de começo, meio e fim,
eu apenas desenho no chão um começo para que meus pés sigam,
e não chego até o fim, porque sempre estou no meio.
Eu sou exatamente igual a você quando olho-me no espelho.
Ouço as mesmas coisas e vivo os mesmos dias desiguais.
O que difere é que sabemos quem somos.
O que magoa são aqueles que nunca compreendem.
É como caminhar em meio à multidão e sentir-se esbarrada sempre.
Sou conduzida a ficar vendo que todos passem,
e, alheia acompanhe sempre de lado, sempre a margem...
No meu tempo falho, desgastado e fugitivo, não há fendas.
Mas, me comove ser como sou.
Choro por qualquer motivo e sorrio por largas horas.
Aprendo o significado do bom e do ruim.
E vejo que preciso atar-me a alguns versos,
Pois eu preciso de você assim como preciso de mim.
O meu tudo não é pouco, mesmo aqui, a margem do que somos.
Dá-me tua mão para caminharmos juntos, nessa estranheza.
Equilíbrio de almas.
Correr de horas imprevistas.
Ombro amigo.
Amor que não se explica.
Necessidade plena.
Único remédio para uma doença que não existe.
Façamos do tempo nossa cura.
Façamos de nossas vidas um sempre.
Façamos de nós o que somos:
Nada mais que sentimentos.
Todos eles.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Presença

É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas, teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos... É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar, a trevo machucado,a folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo... Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janelae respirar-te, azul e luminosa, no ar. É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida... Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato... E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te!
[Mario Quintana]

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Hoje


Abro a porta e vejo:
Sol, nuvens, pássaros e um azul de um céu.
A minha vida se resume em mim.
Eu me faço não só do que sinto, mas do que sou.
E sou o que me permito:
Sol, nuvens, pássaros e o azul de um céu.

O tempo passa depressa demais quando se pensa nele.
Hoje realmente não é igual a ontem.
Amanhã quem sabe tudo muda.
Ser como sou, permite-me ter possibilidades.


-POESIA-

Amor não se acostuma.
Amor que se acostuma morre.
Dia sem sol não aviva flores.
Felicidade não pode ser só uma,
e ninguém vive uma vida sem amores.

[Jacque]


Fragmento IV do Guardador de Rebanhos, Fernando Pessoa:

Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz.
E por isso não erra e é comum e boa.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Amor de todo dia

Um amor quieto e simples, desses feitos de coisas pequenas,
não recorre a grandes pedidos e nem a impossíveis cenas.
Um colher de estrelas em noites cúmplices.
Um sorriso solto e um gesto breve.
Um beijo esperado, um sorriso de lado e um toque leve.

Amor se aprende todo dia,
para fazermos dele, nossa mais bela poesia.

sábado, 31 de outubro de 2009

O azul da tinta

Eu tenho muito que escrever.
E as minhas mãos sedentas para sangrarem o azul da tinta,
irão registrar aflitas esses sentimentos meus.

O poeta escreve para que cada palavra sinta,
que aos versos, ele jamais dirá adeus.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Grãos de café, folhas de chá e um amor [Parte Final]

A noite chegou sem que eu percebesse. Conversamos sobre tantas coisas, discordamos e rimos de muitas outras. Tínhamos muito em comum, e ao mesmo tempo, nada parecia igual, mas a atração era mútua. Contou-me sobre o trabalho, já que isso era algo comum entre nós. A hora passou como se não existissem relógios, compromissos ou qualquer outra coisa que poderia nos prender. Falamos sobre infância, brincadeiras, escola, família, livros, discos antigos, viagens, sonhos, segredos, amores, mentiras e solidão... Falamos em pouco tempo de todo um passado vivo, um presente solitário e um futuro incerto. Falei das flores que gosto, dos dias que choro; das perdas irreparáveis; dos erros cometidos e das escolhas erradas.

Ele ofereceu a mão amiga, o sorriso terno e a palavra boa. Leu poemas e depois me disse que fazia coisas das quais não gostava, apenas para não sentir-se sozinho demais. Às vezes, saía para agradar pessoas e manter um sorriso enquanto a alma chorava. Surpreendeu-me quando disse:- Quase não tomo café, apenas faço, sinto o cheiro, tomo um gole e imagino que alguém está comigo, dividindo uma hora boa... Uma hora de diálogo cúmplice. Eu disse que optava pelo chá, e sempre fazia o mesmo ritual, e esperava com isso, o que ele também esperava: um bom papo, um dividir de idéias... Uma companhia. Ele me olhava como se me conhecesse antes de qualquer tempo.

Disse que não foi por causa de uma xícara que chegou até a mim, mas pelo descompasso bobo que sentia no coração quando me via passar, quando analisava meus gestos, o desenho do meu rosto; o mistério dos meus olhos; o ondulado dos cabelos e o sorriso contraído, sempre tímido. Sem dizer nada, pegou minhas mãos, segurou firme e as beijou. Depois disso, levantou-se, despediu-se e disse que precisava retornar para casa: - Preciso ir, é tarde, tu tens seu espaço, deves estar querendo ficar só. Mande-me ir embora, senão, daqui não saio! Sorrimos, ele soltou minhas mãos e caminhou em direção a porta. Nesse pouco tempo, pude perceber que certos momentos, por breves que sejam, valem mais que uma vida inteira. Segurei suas mãos novamente, beijei-lhe o rosto e disse:- Obrigada, meu coração hoje está repleto e vivo. Ele sorriu, abaixou a cabeça, depois alinhou os olhos junto aos meus. O mundo parou.

O que eram aqueles olhos? Não pude resistir, o trouxe junto a mim e disse: - Fica comigo esta noite? Fica comigo pra sempre? Ele me abraçou na mesma intensidade, afastou-me segurando meu rosto: - Fico, ficarei contigo pra sempre, deixe-me fazer parte da tua vida, pois da minha tu tens sido dona há muito tempo. Assim, olhos nos olhos, nossas bocas se tocaram, desejosas. Nossas mãos fizeram-se uma da outra. Nossos corpos pediam encarecidos por uma mesma alma...

Amanhece. Acordo o som de "Feeling Good" de Nina Simone. Sinto o cheiro de rosas novas e o aroma gostoso de café e chá que vem da cozinha. Ganho um beijo teu, enquanto me dizes baixinho: - Bom dia, minha linda! Fiz meu café e teu chá, vamos dividir essa hora boa? Eu amo você!

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...

A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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