segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Simples e verdadeiro

Um dia perguntei à ele:
-O que você gosta em mim?
Ele simplesmente respondeu assim:

Amo o conjunto da obra!
Suas mãos delicadas que gesticulam seu pensamento robusto.
Seu pensamento harmônico, desvendado nos gestos das suas mãos.
Seus olhos furtivos, buscando a verdade e se escondendo dela.
Sua verdade delicada, a qual transborda dos olhos rápidos e meigos.
Seus passos e pernas, seu meneio lento, tranqüilo e forte.
Sua sutil figura, esculpida da mais linda jóia.
Sua boca bonita, de lábios lascivos.
Sua voz gostosa, repleta de novas verdades, das quais a gente às vezes foge por toda a vida.
Seu cabelo bonito, sua cor brilhante. Um fio de sua madeixa haverá de ter um turbilhão de prazer orgásmico.
Seu nariz bem feito, adorno de moldura rosto; a inspiração do ar que respira. O sabor que devem ter seu hálito...
A silhueta indefectível, a voz infalível, o cheiro único, sua existência: capricho dos deuses.
Essa doce embriaguês só por saber da sua existência.
A felicidade sem tamanho por saber que você se importa com o meu existir.
O mundo velho, sem graça, sem sabor, sem sentido, que agora virou um outro mundo novo, com tudo diferente e melhor.
Quer saber do que eu gosto em você?
Eu gosto de você toda.

Ele não mente, não me ilude e só diz isso à mim.
Isso sim, vale a pena.
Sabe por quê?
Porque é simples e verdadeiro

Um comentário:

  1. Receita de ano novo 
    de Carlos Drumond de Andrade
     

    Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
    cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
    Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
    (mal vivido talvez ou sem sentido) 
    para você ganhar um ano 
    não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
    mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
    novo 
    até no coração das coisas menos percebidas 
    (a começar pelo seu interior) 
    novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
    mas com ele se come, se passeia, 
    se ama, se compreende, se trabalha, 
    você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
    não precisa expedir nem receber mensagens 
    (planta recebe mensagens? 
    passa telegramas?) 
     

    Não precisa 
    fazer lista de boas intenções 
    para arquivá-las na gaveta. 
    Não precisa chorar arrependido 
    pelas besteiras consumidas 
    nem parvamente acreditar 
    que por decreto de esperança 
    a partir de janeiro as coisas mudem 
    e seja tudo claridade, recompensa, 
    justiça entre os homens e as nações, 
    liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
    direitos respeitados, começando 
    pelo direito augusto de viver. 
     

    Para ganhar um Ano Novo 
    que mereça este nome, 
    você, meu caro, tem de merecê-lo, 
    tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
    mas tente, experimente, consciente. 
    É dentro de você que o Ano Novo 
    cochila e espera desde sempre.

    Que em 2010 Deus o abençôe com saúde, paz, muito amor e um bom trabalho!
    abraço

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