quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Minha vida é um barco abandonado



Com a alma comovida segue meu coração peregrino.
No pequeno barco abandonado ao intranqüilo acaso.
E a nuvens lentas, seguem juntas as margens esquecidas,
ao passo que as águas desenham o lago raso.

São uns gestos inocentes esses que desprendo.
Deito-me na solidão, deixo dizerem aquilo que nem sou.
Ouço sempre, já não mais me importa. Eu me rendo.

Posso levar qualquer problema, tudo aceito.
Mas, hoje no meu dia austero e triste,
Fiquei na companhia do meu pior defeito,
e sigo a navegar nesse barco que nem existe.

Tenho semelhança com coisas esquecidas,
e, já não me assusto em seguir viagem.
São assim minhas horas mal vividas,
pois, acostumei-me com a solidão da paisagem.

Pensei ter quem me guiaria nesse calmo tormento,
e junto a mim, enfrentaria o que sempre enfrento.
mas, num barco abandonado, vi que ninguém quer estar dentro.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Únicas serão as rosas


Inoportuna saudade fartar-me a alma mesmo que de desenganos outros.
Faço-me intenta de prosa ou verso que em minha razão seguem-se puros.
Eis o Amor! Levando-me a devorar as horas incontáveis nestes verbetes soltos.

Deixo-me seguir pelos caminhos incertos, assumindo os erros de outrora,
e, em meu jardim povoado de rosas, amorteço meu cansaço válido.
repousando meus olhos sobre estas flores rubras que beijam-me agora.

Eis o amor! Rosa sustentada de espinhos! Beleza única sem medida!
Pobres os que não sabem amar, pois tristeza maior não há nessa vida.
e, mesmo ao juro recolhido, digo em verdades não mais dolorosas:
Breves serão os beijos. Muitos serão os versos. Únicas serão as rosas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

3X4









Eu não sou doida, apenas vivo fora da normalidade costumeira.

domingo, 27 de setembro de 2009

Passage du silence


Coração sentenciado ao silêncio.
Sofreguidão não se extingue,
do ontem para o agora.
As pessoas não conversam por estas ruas.
Posso registrar cada olhar estático.
Sou eu em cada um desses humanos que passam.

Silencio meu grito. Sorvo-me de lágrimas,
depois, sorrio discretamente.
Não quero registros felizes,
poderei despertar os desafetos.
Caminho no silêncio cinzento desse concreto.
Nessa amplidão massacro as folhas, já mortas.

Sei pisar sem causar espanto.
Sei aceitar qualquer maior entendimento.
E passo às pressas, ritmando os passos.
As passagens são escuras e frias.
O chão é espesso e sujo de papéis esquecidos.
O vento restringe-se em pequenos sopros.

Não acumulo nenhum desentendido.
Apenas caminho minha rota escolhida.
Sempre em silencio.

Só há o agito desse peito inquieto.
Inquieto de sentimentos.
Desgarrado de sentidos.
Andante destas ruas.










Um brinde ao amor


Brindemos ao amor, nada é mais soberano!
Derramenos todo o cálice!

Deixemos sangrar, mesmo que a dor não se anule.
Beberemos dele, mesmo que falso.
Taças vazias jamais serão esquecidas!

Árduas alíneas que a mim se prendem,
desgarrem-se na alvura dessa folha,
pra dizerem do amor que sinto.

sábado, 26 de setembro de 2009

Agora são 02:29 da manhã. Eu exclui este blog e voltei atrás, porque a minha vida é assim, não aprendi a tomar decisões. Aprendi a chorar menos, aprendi que não importa o quanto você sofreu o mundo realmente não para, o passado não volta e a vida passa rápido demais. Mas, perante a decisões, não sei agir. No momento, decidi que nada mais irei escrever. Ato minhas mãos, não sei por quanto tempo, daqui a pouco pode ser muito, nunca mais pode ser daqui a pouco. Só sei dizer que, estou presa a isso como estas tiras presas a estas mãos. E o que me prende? Tão somente o que sinto. Saibam, aquele que é forjado em sentimentos, muitas vezes não sabe o que é razão. Vou continuar acreditando que só o amor é capaz de socorrer-nos, dar-nos vida, paz e entendimento.
Não sei se volto. Não sei de nada. Só sei que amo, e, não sou de outra maneira. Tavez, isso seja algo a ser aprendido também, mas, o que é a vida senão um grande aprendizado?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Simples


Reparo os meus instantes, e penso do é feita a existência.
Vejo o enlaçado do vento que abraça aquelas árvores,
ele as beija como se fosse o tão esperado amante.
Elas o recebem, pois, sabem que jamais ele se ausenta.
E aos pés daquele ribeiro, nascem pequenas flores,
que decoram em suas miudezas a paisagem nobre.
Libélulas beliscam o espelho d’água, brincando faceiras.
Desnuda-se o céu, e, cada nuvem encontra seu caminho.
As cores do crepúsculo anunciam a alvorada,
A vida ressurge por entre as falácias dos pássaros,
que em revoada, desenham a liberdade nos céus.
Nesse instante, respiro o renovado do ar que me cerca.
Sou não só aquilo que sei, mas, tudo o que agora contemplo.
Atento meus olhos a perfeição dessas cenas,
e nada mais reconheço, senão a vida.
Deixo-a invadir-me sem licença, sem pedidos,
sem bloqueios, culpas ou arrependimentos.
Sem complicações maiores.
Quero dela o simples.
Quero reter-me nas flores.
Quero desenhar nas nuvens.
Quero dançar com o vento.
Quero brincar com as libélulas.
Quero ser pássaro do céu.








Dessa minha escrita, cativo privilégio meu,
faz-me entender destes outros infinitos.
Há de ser, não há menção de dúvidas.
Já não agüento tais propósitos.
Dores passam. Acasos não mudam.
Só o amor cura.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009


Explica-te coração! Como podes tu, ser tão audacioso paladino dessas coisas sem sentido?

Versos



Por muitos dias de infinito espaço,
aniquilei qualquer palavra, deixando um verso mudo,
pra dizer-te tantas vezes, e, sem cansaço,
que somente amo-te, além de tudo.



terça-feira, 22 de setembro de 2009

Afirmações questionáveis




Cansei da normalidade abusiva.
Abraço-me ao exausto sentido torpe do nada.
Confirmo minhas insanidades.
Sangrenta batalha de “eus”
Devo ponderar meu sorriso.
Ele nada resolve.
Já me é de costume.
Também não há pranto.
Já não há motivos.
Tornei-me inerte.
Anulo-me?
Anulam-me?
Não me conhecem?
ou, descobriram quem sou?


Impossível.


Palavras ácidas (leia, é pra ti)

As coisas não são como parecem.
A minha escrita não é inválida.
O meu amor não é falso.
Não escrevo ao vento.
Tudo é confuso, bem sei.
Só eu entendo, porque me calo.
Tu que lês, acredita na minha insatez.
Debochas por certo, mas, desconhece.
Sim, eu irei falar desta vez.
Mas, como sempre, nada será claro.
Entenda da maneira que quiser.
O pior de tudo isso?
Eu sei o que tu não sabes.
O melhor de tudo isso?
Tu te enganas e nem percebe.

Oh! Pobres mortais ingênuos desentendidos!
Não sabeis vós que o amor tem disso?
Onde tu pensas nada haver, tudo acontece.
Acreditas ser verdadeiro o que te dizem?
Sempre a crença quando se permite.

Entender?

Muitas vezes disse eu, em saberdoria curta:

Entender-se é tracar-se dentro da palavra.

Carrega teu sorriso bobo.
Saias a espalhar da minha loucura breve.
Comente com outros que nada sei,
e continue a pensar que somente tu,
pisa no terreno das razões.
Seria eu tão louca a ponto de escrever
sem realmente sentir?

Se tu pensas que vago é tudo isso,
Continue pensando, tu não carregas a culpa.
Apenas, acredita no que te dizem.

Estranho


Definitivamente não piso nos meus lugares que muitos.
Estive certa de tantos feitos, hoje, nada sei de fato.
Busquei entender das soluções e dos meus desatinos,
Tão logo, desatei-me a não mais pensar em nada.
Amargo é o mel que procuro. Infeliz é a dor que sinto.
Ainda assim, entendo o que tanto não sei.
Há um mal em cada um. Há um bem a solta.
Acordem os últimos sábios e perguntem a eles sobre o nada.
Resposta vaga, ninguém sabe dos outros.
Corri novamente as paredes desse abismo inóspito.
Cerquei-me dessa breve vida frouxa e largada.
Despi-me dos flagelos passados. Vesti-me de paz.
Sentei ao lado da insegurança, minha companheira.
Aprendi cedo o desarrumado de uma vida.
Cresci nas impossibilidades de ser tão “eu”.
E depois, chorei. Lavei minha face quieta.
E ainda assim, não me fiz de entendida.
Há um mal em ser assim, faz-me bem.
Há um bem em ser assim, faz-me mal.
Junte de mim não só as sobras, elas ainda não me são.
Olhe para o que inteira me faço.
Eu não sou eu no que penso. Sou o que imagino.
E minha imaginação socorre-se nessas escritas.
Eu, vago por aí, em outros reinos,
E conto-me a mesma história de sempre.
Só eu sei o que sinto.
Amanhã resolvemos.
Sorrio e nada mais será estranho.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Na simplicidade do amor



Observo as folhas já lavadas pela chuva. O verde é ressaltado pelo brilho dos primeiros raios de sol que rasgam as nuvens que se dispersam depois de mais uma noite chuvosa. Há tanto encanto nas coisas pequenas. Há esperança no verde dessas folhas. Esses contornos únicos das flores que se desprendem dos galhos, as gotas acumuladas, a sensação fresca de se estar diante da perfeita sintonia. Céu, sol, flores, folhas... Nós.

Olho pela janela e o vejo contemplando toda essa paisagem simples, acolhedora e tão cheia das coisas que agradam aos olhos. Fico velando teu sorriso ao longe e teu gesto livre de abrir os braços, respirando fundo o ar desta nova manhã beijada pela chuva tranqüila de antes. Acompanho teu sorrindo, faço-me sorrir também. Quando te viras e avista-me na janela, carinhosamente joga-me um beijo e diz baixinho: “Eu te amo”. Meu suspiro profundo, minha mão junto ao peito e o desprender dos meus lábios, retribuem tuas palavras e junto a esse momento, uma lágrima escorre minha face, fazendo transbordar toda emoção que sinto em te amar como amo.

Encontro-te lá fora, seguro firme tua mão, olho-te nos olhos, toco suavemente teus lábios com a ponta dos meus dedos enquanto tu fechas os olhos e encosta teu rosto no meu, e num abraço, nossos corações juntam-se à sintonia do que somos. Tão simples é o amor. A vida é tão simples. E assim, seremos para sempre, pois nada vem ao acaso. Tudo é perfeitamente traçado, como a chuva desprendida das nuvens, as folhas e flores orvalhadas resplandecendo o brilho dos céus. Assim, é o amor que temos, feito tão somente da simplicidade grandiosa que esse sentimento significa.

domingo, 20 de setembro de 2009

Verdades particulares ( recordações)


Hoje, fiquei observando a chuva escorrendo pela janela, lembrei-me do que me disseste há um tempo passado:

“Adoro tardes chuvosas... adoro a chuva... gosto de brincar com as gotas, emparelhadas aos meus dedos... acho absurdamente poético”.

Coisas simples. Lembra-se das coisas simples? Elas são a mais pura poesia. Hoje, voltei ao passado, mas, sempre que volto trago somente coisas boas. Tu fazes parte do que é bom pra mim, saiba disso. Estarei contigo sempre, assim como tu estás comigo, mesmo tão distante e mesmo em meio a tantas adversidades. Não relembremos os pingos de chuva como lágrimas, mas, somente como poesia. Depois da chuva, haverá sempre um sol a nos aquecer e com ele, vida nova a cada dia.

Deixou-te aqui, a poesia daquela tarde, onde dancei contigo Sunday smile ao som de Beirut:

Tranqüilo senta-se ao meu lado.
Tem cheiro de dia de chuva.
Jeito de menino travesso.
Olhar de anjo perdido.
Fica assim, olhando-me.
E depois sorri como quem conta-me um segredo.
Fiz olhar-te nos olhos, pra saber do mistério.
E vi neles, manhãs de sol amarelo.
E canteiros de violetas viçosas.
Escutei os sons dos ventos do norte,
E senti o arrepio de um dia de frio.
De que são feitos esses olhos?
De segredos.
São janelas fechadas pra mim.
Encanta-me. Olhar-te me encanta.
Morro sem saber seus segredos.
Vivo pra olhar-te nos olhos.

Eu te amo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Juntos

Somos necessários a medida um do outro. E no completar de nossas almas, temos suportado os dias estranhos e o sombrio de nuvens passageiras, que passam em presságio de anúncio da vinda de novas flores ao nascer das auroras rotineiras. Faço-te saber de todo encanto desprendido dos teus olhos mansos, do sorriso doce e da ternura nunca perdida. Somos o sustento em raiz, e só nossa força motriz, faz-nos um do outro pelo resto da vida. Sem ti não há a amplidão dos sentidos e nada em mim há reconhecimento, volto à andante do mundo daqueles que passam despercebidos e que vivem tão só de lamento. Junto a ti sou nuvem do céu, dia de paz, chuva boa... Juntos somos dois corações que num só peito destoa.

Marca teu passo junto ao meu.
Escreva-nos em laudas pelo infinito.
Sintas do beijo que é todo teu.
Saibas em verso desse amor que é tão bonito.

O poeta é um egoísta louco



O poeta é um egoísta louco,
pensa nele, tão somente nele e dele se faz outro.
Gosta da cor do sangue fruto do espinho,
porque se iguala ao carmim da rosa.
Aprecia do amargo, ao doce do vinho,
e acha graça de sua sina dolorosa.

E nesse mundo em que ele é submerso,
Segue a todo custo a escrever.
Para que todos saibam,
Que um poeta sem tristeza ou alegria,
Jamais saberia o que é viver.

Onde moro


Eu não habito “um nada”.
Minha morada é segura, mesmo que imperfeita.
Não moro mais em uma casinha branca,
Como todas as outras daquela rua igual,
Da mesma cidade de sempre.
Eu sou talvez, só o que acho “normal”,
mas, sou sempre eu, em qualquer casa que eu entre.
Moro no meu mundo e nele há poesia,
E nesse mundo, digo, somente o que sou:
Eu sou aquela que na escrita, um dia se salvou.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Vício


Oscilo entre o descompasso dessas rimas desgraçadas.
Por que me meti a ser poeta? Antes tivesse as mãos atadas!

Mal de quem escreve.
Tormento que nunca é breve.

As palavras não me deixam sóbria. É maldade o que elas fazem.
Que faço eu com meu vício? Que agonia sem remédio!
Quando não é o amor, é o ódio, a alegria ou o tédio!
Não há saída, somente essas malditas escritas me satisfazem!

Malditas? Pobres palavras, só ganham vida ao meu querer.
Não posso culpá-las, de todo são tão lindas.
E para quem não entendeu ainda,
É porque não sabe o que é escrever.

Vício necessário que me salva de todo e qualquer mal.
Refúgio que procuro, pra dizer das coisas que sinto.
Que elas sejam meu tormento infernal,
Pois só um eu sei o que é beber desse absinto.

Ao passo que me tiram a razão, dão-me a paz que espero.
E assim, vou escrevendo, mesmo que seja sofrendo ou sorrindo,
pois, se meti a ser poeta, é porque outra coisa eu já não quero.





Sei chorar e sei sorrir





Hoje eu chorei. Fiz-me quieta em meu canto,
desprendi-me do alto da minha nuvem inventada,
pra que ninguém soubesse do sufoco desse pranto.

Que dor é essa? Há tantas dores maiores nessa vida.
Aprendi a aceitar, e a entender de dores,
Mas, por tantas vezes não tive a minha dividida.

E me resta como sempre o verso... Verso desentendido.
É uma aflição que me faz só dizer-te em rimas,
desses dias que tanto tenho sofrido.

Suporto todas as palavras, e, aos meus olhos eu engano.
mas, tenho em meu peito, um coração,
Que não sabe esconder o quanto amo.

Travo essa luta, bem sei, o quanto é árdua e sofrida.
Usarei somente o que me sustenta,
Que é esse amor que tenho ainda.

Choro, porque de pedra não me faço,
E se a mim vale cada lágrima,
Irei chorar sem nenhum cansaço.

Julguem-me, isso já é costumeiro.
Mas saibam que eu somente vivo,
Um sentimento único e verdadeiro.

Sim, o amor tudo suporta, isto é certo.
Até o dissabor de uma lágrima,
ou mesmo, o não estar por perto.

Que eu ame então, mesmo sendo de um jeito esquisito.
Pois se digo que o que sinto é sem razão,
O que dizes a mim, também eu acredito.

Acredito em cada linha do que escreveu.
E se tens as tuas razões, eu não o julgo.
Porque só eu sei, o quanto tu és meu.

Ama-me para sempre, como tens prometido.
Deixe ressoar tuas palavras de carinho,
Pois, bem sei, que tu não és só meu amigo.

Renegamos até uma amizade,
Porque só nós dois sabemos,
O que somos de verdade.

Somos dois que se fizeram em um só.
E nos prendemos atados e juntos,
Em um mesmo jeito de nó.

E desse nosso amor, poesia sei fazer.
E mesmo que eu chore ou sorria,
Sem ti, eu já não posso mais viver.



segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Manhãs

Amanheceu. Sou essa luz que tenho agora. Meus olhos são passivos admiradores das flores do flamboyant que se desprendem ao toque do vento fresco viajante dessas horas novas. Meus ouvidos alegram-se ao ritmo dos pássaros que entoam doces melodias, num rito necessário a esta tão formosa paisagem que me encanta. Faço-me em sorrisos, quando sinto teu abraço e o sussurro de tua voz macia ao meu ouvido, dizendo-me o que tanto sei.

Trago ao peito o suspiro cândido de quem ama. Carrego toda intensidade desse meus sentimentos, que em exagero, não se explicam, apenas transbordam da maneira mais intensa, como a luz que irradia. Tenho-te ao meu lado. Tu és o meu sol de cada dia. Faço reverencias aos céus pelo amor que somos, e essas manhãs , serão sempre testemunhas do quanto nos amamos.

Aos teus olhos

Procuro pelo verde dos teus olhos, quando em ti retenho meu pensamento.
Perco-me na suavidade dos teus traços fortes cheios de mistérios tantos.
Olhos verdes como água da lagoa. Matiz em enigma de um só entendimento.
Olhos tristes, sorriso perfeito, contraste teu, tão cheio de encantos.

Tenho o verde dos teus olhos, como quem cultiva esmeraldas de raro achado.
Não tem valia a mim, nenhuma outra cor, quando aos teus olhos me refiro,
Mas vejo-me em todas elas, e só aos teus olhos, tenho tão somente amado.

Digo-te em versos, desses teus olhos que tanto a mim são pertencentes.
E tu sabes, que estes meus que te sondam, nada mais tem feito nessa vida,
a não ser amar-te, mesmo que minhas rimas aos outros sejam descrentes.

E se nessa vida, o amor para muitos nenhum entendimento tem,
Só sei dizer-te do que sou em meu sentimento, e assim, tu és também.
E aos teus olhos, que tanto a mim cativam, pra sempre irei escrever,
porque que os olhos quando amam, de outro jeito não sabem ver.








domingo, 13 de setembro de 2009

Quando se pensa


Descanso à medida que meus pensamentos povoam minha solidão,
e pensar já não desgasta, pois, tenho agora, algum fragmento de razão.
Refaço o desacerto de um lamento e colho um sorriso que floresce.
Faço de mim qualquer coisa boa, mesmo que nada do que penso interesse.

Eu penso tantas coisas. Desando-me a caminhar por entre vales e desfiladeiros.
Observo a beleza disso tudo. Meus pensamentos, assim são costumeiros.
Vejo-me com asas a beira de abismos profundos, a mim, nada ameaçadores.
Faço uso das mesmas asas e reverencio os vales verdes, tão encantadores.

Pensar, faz-me longe, joga-me em sopros ao alto de minha costumeira estranheza.
Quando penso, me aquieto, e faço uso discreto de tão raro momento de certeza.
Ao pensar, deparo-me com o que eu era ou sou em meus raros entendimentos,
e fico a divagar que sou tantas coisas em meio a estes meus loucos pensamentos.

Vamos pensar amor? Vamos fazer uso desse nosso tempo?
Deite-se aqui, e pense comigo,
pois, nosso pensar é parecido.
Somos almas semelhantes, e isso, tanto bem nos faz.
Aquiete-se agora. Pensar juntos, somente traz-nos paz.

Boa noite, amor.





sábado, 12 de setembro de 2009

Mudar ou melhorar?

Devemos repetir sempre: “Tenho que melhorar completamente; desde as raízes do meu ser. Mudar, não é da natureza. Somos criados em essência, e, essências não mudam, melhoram. Já sentistes as melhores fragrâncias? Pensas que as essências são agradáveis? Não, muitas jamais agradariam, mas, ainda sim, são essências, e foram “melhoradas” e ganharam um novo sentido. Ganharam nova vida. Somos dependentes, eternos dependentes. Não podemos depender das tradições, porque elas criam a indolência, aceitação e a obediência, não podemos contar com os outros para que melhoremos, mas a eles devemos ser gratos todos os dias, por usarem de qualquer palavra amiga que nos faça despertar-nos para o que somos. O que acontece então? Qual a razão de tamanho vazio? Quais as causas? O que nos faz sofrer?

A principal causa dos nossos sofrimentos são os medos. Eles não só nos apavoram friamente. Eles nos privam de qualquer vontade maior, qualquer fé, esperança... O medo nos cega, derruba e nos enterra. Digamos que tivemos ontem, uma experiência que nos ensinou algo ruim ou bom, não importa. Retiramos o ensinamento, o levamos conosco, eis, então, os pilares para as melhoras. Mas, muitos de nós, vivemos do que morreu. O passado não existe. O grande mal do ser humano é não compreender o movimento vivo e a beleza da natureza desse movimento. E não compreendo isso, morre. Morre sobre a vida, porque se questiona sobre o ontem, alegando mais erros que acertos e mais tristezas que alegrias. Devemos morrer sobre as coisas de ontem, só nesse estado é que se aprende e observa.

Para tanto, requer-se grande capacidade de percebimento, de real percebimento do que se está passando no interior de nós mesmos, sem corrigir o que vemos, nem dizer, o que deveria ou não deveria ser. Vamos pois, investigar juntos à nós mesmos. Vamos fazer juntos uma viagem, uma viagem de exploração dos mais secretos recessos de nossa mente. Para realizar essa viagem, precisamos estar livres; não podemos transportar uma carga de opiniões, preconceitos e conclusões - todos os trastes imprestáveis que juntamos no curso dos últimos anos. Devemos esquecer-nos de tudo, que sabemos a respeito de nós, vamos começar o hoje, pois o agora pouco, já morreu. “E me dirás: “Não é fácil” e, lhe responderei:” É mais difícil do que tu pensas”.

O que devemos fazer então? Só há um caminho, e todos nós sabemos, apenas, não aceitamos como deve ser aceito. Passemos a observar então, o que já morreu, como o fim de uma chuva, por exemplo. Ela acaba-se na terra, para que dela brote a vida. A noite passada choveu torrencialmente e agora o céu está começando a limpar-se; é um dia novo, fresco. Encontremo-nos com este dia novo como se fosse nosso único dia. Iniciemos juntos a jornada, deixando para trás todas as lembranças de ontem, e comecemos a compreender-nos pela primeira vez. Cada amanhecer é sempre a primeira vez. . Somos livres, e por sermos livres, devemos “agir”. Essa é a palavra. Conseguinte, não há medo, e a mente sem medo é capaz de infinito amor. E o amor pode fazer tudo o que quiser. Seja amor, permita-se ao amor. Viva o amor real.

Só o amor tudo vence.
Só Deus tudo sabe.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Uma carta de amor

“Eu te amo... De verdade”

Disseste-me isso. Preciso eu, ter dúvidas sobre tamanha declaração? Eu não quero entender mais nada, pois, minha razão não permite isso. Bem que disseram que o coração tem razões que a própria razão desconhece. Eu te amo, e mesmo que pensem ser isso, algo cheio de dúvidas, não me importo. O que a mim importa? Importa o que dizemos um ao outro, a cumplicidade de saber entender quando tudo deve ser entendido, a risada boa, a lágrima sincera, o carinho de sempre... Gosto quando me surpreendes no meio de uma conversa, dizendo-me: “Eu te amo, sua maluca”.

Hoje, quando disse que me admiras e tem orgulho de mim, senti-me a mais feliz das mulheres, pois, sei que entendes minhas palavras quando mesmo em meio a lágrimas, digo-te da força desse nosso amor. Equilibramos nossas almas. Sintonizamos um sentimento, que a cada dia faz-se mais acolhedor. Nada disso é vão, sabemos eu e tu de tantas coisas. Tanto já foi chorado, discutido, revisto... Tantas vezes tentamos não mais ser um do outro, mas, não conseguimos, porque na realidade, nem chegamos ao passo de tentar. Não há nada que faça desviar nossa escrita. “Está escrito”. Disse-te tantas vezes.

O amor é feito de entendimentos, por mais, que muitos não entendam. Quando digo que tudo eu suporto, tu sabes que realmente suporto. Não julgarei nenhuma de tuas ações, pois meu sentimento não é de julgo. Jamais o recriminarei por nada, porque tu me ensinaste a amar. Tantas vezes segurei tua mão, tantas vezes ouvi tuas dores, chorei, sorri e ouvi todas as tuas histórias... Todas elas. Em troca, recebi o afeto, o carinho, o colo, a compreensão. Cuidaste de mim quando dormi, deste-me bronca, escreveu para que meus olhos sorrissem, apoiou minhas idéias e, concordou com meus ideais.

Amo-te e admiro-te, por tudo que sei de ti, e, mesmo não estando contigo ainda, minha alma é completa. Mesmo sem saber, tu me dás a força necessária que preciso para seguir somente acreditando em tuas palavras. Eu te dou a força que precisas em qualquer momento, seja ele de dor ou de alegria. Somos fortes. Somos o que somos, e ninguém jamais entenderá disso tudo, somente eu e tu. Ninguém pode entender dessa nossa loucura. Nunca houve dúvida infundada. Quando me dizes: “Eu te amo”, sei que realmente é a mim que ama. Como sei? Sei por que sinto na tua voz cativante, tão cheia de ternura. Sinto na tua risada gostosa, nas brincadeiras, nas músicas, nas palavras... Como não te amar? Impossível. Cuidar de ti é minha sina mais gostosa.

Desdobro qualquer madrugada, faço qualquer coisa pra vê-lo sorrir e sentir-se protegido e amado. Estarei contigo diante de qualquer adversidade, dor, lamento ou tristeza. Amo-te sim, e, deixo aqui escrito pra que todos leiam. Muitos podem pensar que amo quem não me ama. Enganam-se todos. Só amo porque recebo o mesmo em troca. É um amor real, sincero, puro e feito do que há de maior. Acreditem os desacreditados, o que vale tão somente é o que dois corações sentem, e isso, não são apenas palavras, nem mero sentimento. Isso, simplesmente, é amor.

Estarei contigo, sempre.


Jolie




quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Razón de mi vivir


Llego a tu boca como la lluvia llega la tierra dándole vida.

Me miro en tus ojos tan dulcemente que no podía ser otra cosa.

Cedí a la respiración profunda de tu alma, y tú, me dirijo.

Yo por mi con mis manos y me hizo todo tuyo en tu afecto.

Sentí tu piel suave, su forma y su cálida sonrisa de una mujer cautiva.

Da vida a los ojos a su trazo firme y delicada como una rosa sin espina.

Llamé a sus manos al tocar las nubes en un sueño de niño.

Enlaço de su pelo negro suave llevándolos cerca de mí.

Sentí la frescura de su aliento cuando cerca de usted, respiraba el mismo aire.

Y a su pecho, abrazando a usted en una carrera desesperada por amor.

Yo te hice en mi piel, al lado de mi sangre, y me perdí en el camino de sentido.

Te amo como un loco y me perdí en esta locura de su amor que és la razón de mi vivir.


****

Chego à tua boca como a chuva chega a terra dando-lhe vida.


Olho-te nos olhos tão docemente, que não posso ser mais nada.

Rendo-me ao suspiro profundo de tua alma, e em ti, faço morada.

Faço-te minha com minhas mãos e faz-me todo teu em teus carinhos.

Cortejo tua tez suave, teu jeito quente e teu sorriso cativo de mulher.

Avivo meus olhos aos teus traços firmes e delicados como a rosa sem espinhos.

Toco-te as mãos como se tocam as nuvens em sonhos de menino.

Enlaço teus cabelos negros delicadamente, aproximando-os de mim.

Sinto o fresco do teu hálito, quando junto a ti, respiro o mesmo ar.

Trago-te junto ao peito, abraçando-te num ímpeto desespero de amar.

Faço-te em minha pele, junto ao meu sangue, e, entrego-me ao teu jeito de querer.

Amo-te como um louco, e perco-me no insano deste amor, que é a razão do meu viver.







A ti e a Neruda

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Espera-me

Perturbar-me a tua escrita. Tu sabes amada minha, jamais levarei de ti rancores no coração.
Não prossiga nos caminhos incertos que ousam roubar-te de mim, ama-me para sempre.
Percebo que já não há mais nada que eu possa dizer-te nestas tuas horas de aflição.
Sinto um desandar no peito, que nada mais é, que um martírio desta minha dor latente.

Quando a terei? Já não sei diminuir as horas, nem mesmo controla-me em minhas saudades.
Se nos fizeram prometidos, porque ainda tarda o encontro? Devo dizer-te, estou sofrendo.
Sou um vago andarilho neste mundo. Sou um barco à deriva num mar revolto de tempestades.
O tempo tira-me o sossego, me vejo em desespero, sozinho, assisto minha paz ir se perdendo.

Resta-me versos, pra que teus olhos saibam o quanto padeço sem minha doce amada.
Faço-te todos, pra tu saberes do amor que tenho em minha alma que tanto te espera.
Uso das mãos de qualquer poeta e recorro a qualquer estrofe bem ou mal traçada,
Pra dizer-te que não deixes que o tempo arranque-te de mim, como uma maldita fera.

Não te vás de mim! Não posso saber o que este meu caminho sem ti ao meu lado.
Preciso do vivente dos teus olhos, minha luz de dias escuros, meu candeio maior.
Necessito do sorriso frouxo das horas bobas que faz feliz, este teu tão apaixonado.
Imploro que não deixes este nosso tempo acabar com o que temos de melhor.

Ama-me, eu lhe peço! Sou movido tão somente pelo amor que tanto bem me faz.
Atravesso qualquer tempo, espero a troca dos dias. Peço-lhe, não me deixes sozinho!
Sem ti não vivo, não sei viver de outro modo, não saberei sem teu amor, viver jamais.

Não nos perderemos. Guia-me, com tua força, faz-se meu domínio pra que eu te siga.
Já vagamos por tantos infinitos e choramos tantas vezes cada uma de nossas idas.
Tenha crença nos céus. Não há de ser agora, que minha alma junto a tua não prossiga.

Espera-me sempre. Confia no que somos e não descuide do sentimento teu.
Ainda a terei novamente. E nesse dia, cantarão todos os pássaros a tua beleza rara.
E no nosso abraço, tão esperado, recordaremos que jamais um de nós por amor sofreu.
Amo-te tanto, e tu me amas, espera-me, pois, somos duas almas que o tempo jamais separa.

Amar sempre vale a pena


Havia um tempo em que nada mais importava. Nem flores, nem sorrisos ou qualquer manifestação de alegria. Tudo era sombrio, via-se somente um raio tímido de sol que teimava em atravessar a fresta da janela que constantemente estava fechada. Era um quarto escuro, e nele habitava alguém que pensava ser ali, sua única morada. Dias inteiros se passaram, desde o amanhecer ao anoitecer, mas isso já não importava, pois existia somente o escuro, por mais que a teimoso raio de sol insistisse em querer mostrar que lá fora havia vida. O tempo não fazia sentido; a vida não despertava interesse, nem quando o gargalhar das senhoras lá fora que passavam pelo caminho estreito por entre a mata que as levavam até os tanques rústicos, nos quais elas lavavam suas roupas surradas e velhas, mas aquele sorriso, estampado no rosto de cada uma delas, era algo ainda mágico. Também se ouvia o burburinho das crianças que brincavam dessas brincadeiras antigas, que ninguém nem se lembra mais. E ali, naquele lugar distante, longe da família e dos amigos, o único desejo era que viessem os livros de Neruda.

Às vezes demoravam a chegar, mas havia algo que nunca falhava, sempre vinha, da pior maneira: o medo, que era a estampa do seu rosto, que ela já nem sabia como era, pois, constantemente era agredido. Não eram os tapas que doíam, nem as cicatrizes que faziam pena de tantas que se fizeram, a dor, era saber que jamais o amor pudesse estar presente de forma verdadeira. “Foi por amor”. Assim, ela pensava, tinha abandonado todos os seus sonhos, para viver apenas um. E o sonho tornou-se pesadelo. Um pesadelo que ela imaginava jamais ter um fim. Pensou muitas vezes ser merecedora de tudo aquilo, deveria sofrer, pelas escolhas que fizera, pela vida louca que queria viver, por tudo que pensou existir de lindo. E, abraçou-se nessa loucura. Tornou-se parte dela. Nos seus mais doces anos, jogou-se no mais profundo abismo, cercado de lama pra todos os lados, sem possibilidade alguma de fuga.

E assim, a doce moça, tornou-se um trapo de linho desgastado, entregue totalmente a melancolia, tristeza e sofrimento. Tudo isso porque acreditou no amor, nas palavras e no carinho de alguém que parecia aos olhos, a perfeição. Muitos a julgaram, e a ainda julgam. Mas, isso já não importa. Ela aprendeu a fazer poesia da dor que sentiu por todos aqueles dias. Ela pensou que havia conhecido o amor, pois, eram tão doces aquelas palavras. No início, tantas promessas, tantos elogios. Onde tudo se perdeu? Por que ela não tentou fugir? Ela tentou. Diversas vezes, ela tentou. E descobriram, e marcaram seu corpo de tal maneira, que a morte segurou-lhe a mão diversas vezes, mas, algo, ainda tinha que ser cumprido, não poderia entregar-se, mesmo em meio ao sangue, as lágrimas e aos livros que foram todos queimados. Ela ainda tinha aquele raio de sol teimoso que insistia em dar-lhe vida. Mas, o tempo era demorado demais, as notícias nunca chegavam, e o único amor que tinha, vinha acompanhado de um ódio mortal, que a abraçou, mas nunca a fez ter um coração de pedra.

Ela sofreu todas as dores possíveis. Perdeu-se e se encontrou em meio a mais profunda tristeza já sentida. Aquilo tudo teria um fim. O raio de sol esquentava-lhe as mãos geladas e dava-lhe força quando sentia fome, frio e sede. Ela precisava unir-se a ele, que era única esperança que ainda lhe restava. Os dias passaram, ela, sem forças, não conseguia ir até a janela, para poder ouvir aquelas gargalhadas das senhoras lavadeiras. Mas, alguém teve piedade e trouxe-lhe a comida, as roupas e o que ela mais gostava: os livros. Eram os livros de poesia que matavam a sua fome, davam-lhe a lágrima saudosa e o sorriso esquecido. E assim, o tempo parecia não ser tempo. O inferno em que vivia já não era de todo sofrimento. Na poesia, sua alma era nobre, seus encantos de menina eram puros, e os seus sonhos, ainda eram possíveis.

Foi então, que tudo teve um fim, ninguém mais a machucaria. Encontraram-na doente, debilitada e desprovida de qualquer razão, mas, viva. O que seria de agora em diante? Ela não sabia o que a esperava, mas ainda sim, acreditava no poder do amor. Ela conheceu o amor, disseram-lhe que era daquele jeito que se sentia. Ela dou-se, amou da maneira que sabia, mas, ela tinha aprendido da pior maneira, e sempre, vinha o desespero de que alguém soubesse de sua história marcada de erros. Ela se desesperava, perdia o ponto de equilíbrio entre a razão e a loucura. Ninguém a entenderia jamais, pois ninguém nunca poderia saber do que ocorrera no passado. “Talvez fosse melhor não amar” – Ela pensou isso, diversas vezes. E assim, fechou-se, pois realmente não sabia amar ninguém e passou a acreditar que amor real, era coisa de poeta. Tornou-se alguém distante do que pretendia.

A vida simplesmente foi seguindo o rumo, como os ventos que passam e trazem as chuvas, cumprindo os ciclos naturais. Era assim, a vida era um ciclo natural. Quinze anos se passaram. Ela já não é mais a mesma. É uma mulher. Deixou de lado muitas coisas. Mas, durante todos esses anos, mesmo que quisesse, mesmo que tentasse, não poderia deixar de acreditar no amor. E então, ele veio. Ele a ouviu, quando ela quis falar. Esse amor, não a fez sofrer como tantos, nem a maltratou na sua ingenuidade. Um amor que estava sempre ali, junto, quando ela chorava ou sorria. Ela conheceu o que é ser amada. Sentiu-se mulher. Enxergou-se de fato no espelho. E decidiu ser poeta. Mesmo sabendo que os poetas são sofredores irremediáveis; mesmo sabendo que o amor tem altos e baixos; mesmo sabendo que tudo pode ter um fim. Não importa, ela sente-se amada.

Ouviu as palavras mais doces, a atenção mais merecida, dessa vez, não por piedade, mas, porque se fez de encantos. Hoje, ela olha para trás e vê o quando valeu a pena não enterrar os sonhos, não amargurar-se e nem deixar de acreditar no que era. Ela poderia ser a pior das mulheres; carregar traumas insuperáveis; decidir ser alguém fria, triste e desprezível, mas, nenhum sentimento pequeno habita seu coração. Ela aprendeu a amar, mesmo que de maneira torta, errônea, exagerada... Ela aprendeu. E se na vida, cada lágrima e sorriso em nome do amor faz valer a pena, ela continuará amando da maneira mais intensa. Hoje, mesmo que esse amor precise de ajuda, ela não mais se desespera em saber que foi tudo em vão, como tantas vezes aconteceu. Nada é vão quando se ama.

E como ela sabe que é amor realmente? É simples, hoje ela está viva, e sabe o que é compreender, esperar, acreditar e nunca abandonar aquilo que cativa. E enquanto o coração ainda bater num descompasso diferente, o sorriso permanecer mesmo em meio às lágrimas, a espera for desgastante e demorada, ou mesmo tudo ter um fim, ainda sim, terá valido a pena.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

beleza e espinhos



Sinto o perfume de rosas ao longe, é como se eu pudesse estar emanada num campo cheio delas. É um perfume doce e suave, em meio a ele, ferem-me os espinhos que me trazem a tristeza desses dias frios. Nada mais é tão grave. Eu preciso não mais acometer-se de tantos desvarios. Acho que amo demais, e amar como eu amo, novamente, jamais serei capaz. Só sei que não minto, e nem sei agir de maneiras diferentes. Eu só quero poder passear por estas flores agora, e delas me despedir, pois tenho chorado em tom desesperado, porque não tenho por enquanto, motivos que me levem a sorrir.
Tenho um amor, que de tão grande, suporta qualquer falta de flores, por isso as invento, pra que elas sejam companheiras das minhas dores. Escolhi as rosas, pois carregam a beleza e o espinho, ao passo que encantam, nos machucam. Sou uma rosa ferida. Sou um coração que bate no peito sozinho. Uma rosa é sempre uma rosa, mesmo que esteja quase sem vida e amargurada. Uma mulher é sempre mais mulher, quando ainda sente-se amada.

domingo, 6 de setembro de 2009

Apontamentos


Não pondero, sonho.
Não me sinto inspirada, deliro.
Tenho a face do que sou.
Pudera eu ser entendedora destas coisas.
Sou qualquer coisa além de mim.
Registro minha impaciência,
Pra que eu me veja quieta.
Olhar o nada é ruim.
Só dizer do que tenho.
Coração é o que tenho tanto.
Amor é o que sinto sempre.

Teus versos



Ao retornar de todas as incertezas, minha alma aquieta-se quando ouve tua voz.
E este flamejante amor, que aos meus olhos dão o viço inegável do que sentem,
Nada mais enxerga que este sentimento único, tão só, compreendido por nós.

Quando teu abraço me afaga e sinto teu pulsar junto ao meu que tanto amor tem tido.
Já não me faço dona de nenhum outro sentimento, que não seja amar-te além de tudo.
Que julguem os não entendedores que espreitam, amar como amo, não é para ser entendido,
É pra ser sentido. Quero que saibam que da minha escrita e do meu amor, eu nada mudo.

Continuarei a sangrar as palavras e fazê-las flutuar nestas linhas que tão somente a ti dedico.
Não posso renegar o que sinto e nem deixar que teus olhos deixem de saber o quanto amo.
Tu és a vida em minha vida, seremos nós dois, como dever ser, e desse amor não abdico.

Declaro-te nos mais longos versos, que não há dia que meu amor seja menor ou triste.
Teu amor sopra-me vida, afugenta a melancolia e acolhe minhas lágrimas sofridas.
Saboreio o gosto intenso da vida, mesmo ela não sendo vivida somente do que não existe.
Há dois mundos em que vivemos e só nós dois é que sabemos, superar as recaídas.

Só quem ama e entende, pode agora lançar os olhos nestas linhas e dizer do que sou.
Não há como negar o que sinto, eu não minto. Eu sou o reflexo do que recebo.
Tenho o amor que me toca a alma, trazendo-me a calma que um dia de mim se afastou.

Tudo que vivo não é um momento fugaz ou esquecido, todos ao lerem irão disso saber.
Acham ser possível, escrever versos sem que nenhum sentimento maior se faça?
Poetas são fingidores, já disseram, mas, nenhum sabe fingir o amor, para dele escrever.

Amo-te tanto, que construo estes versos forjados por minhas tão inegáveis crenças.
Deixa-me dizer-te todo dia desse meu amor que nada mais é, que o teu amor por mim.
Não se muda o que está escrito. Escrevei todos os dias das minhas saudades imensas.
Pra que tu saibas que o amor que carrego e, que tanto tu me dás, jamais terá um fim.

Nunca haverá um fim, e, tu sabes disso. Vejo nestes teus olhos verdes carregados de paixão.
Ouço na tua voz, quando a minha se cala. Sinto no teu corpo quando suave ao meu toca.
Nada pode mudar o que somos, e, se tanto nos amamos , nada mais tem explicação.

Que o tempo faça o contar das horas e o sol aqueça as flores da doce primavera.
Que caiam as folhas amarelados do outono pelas ruas frias, isso, nada a mim importa.
Farei todos os versos que o meu coração quiser, somente pra dizer-te da minha espera,
Assim eu te amo, da maneira maior que há, e esse meu amor maior, tudo suporta.

Suporto as saudades, os dias frios ou de chuva. Suporto saber de tantas coisas inaceitáveis.
Suporto o silencio dos dias de cansaço. Suporto a rotina tão corrida e causadora do desgaste.
Suporto ler tudo o que escrevem, dizem e pensam. Suporto viver dias tristes e lastimáveis.
Suporto saber de qualquer problema, pra que tu saibas que de ti não há nada que me afaste.





quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Inverso




Do reverso verso que fiz, nada adiantou.
Colhi no meu jardim de palavras
Não só o que a mim agradou.
Tenho o sentindo inverso dos versos que fiz.
Não sei mais dizer o que sou.
Se sou o inverso da dor,
Ou o verso que escrevo de amor.
Inverti alma em sofrer.
E no escuro tudo fica tão claro.
Vejo o que me sufoca.
Eu não sou tão somente um resvalo,
Dessa tristeza que me toca.
Sou toda ela agora.
E das verdades vou fugindo.
Fico e vou embora.
Sei chorar e sei sorrir.
Amanheço sem dormir,
Enquanto você está dormindo.



Lua


Sinto o cheiro das flores de cidra cerceando-me enquanto o crepúsculo atormenta.
Funde-se em tons grenás o céu e a nuvens que não desenham, apenas mentem.
Santifico-me diante dessas formas que aos meus olhos beleza maior não salienta.
Quedam-se as flores. Regressam os pássaros. Sofrem os poetas que tudo sentem.

Faço paragem nestas linhas sinuosas que se encontram para que a noite nasça.
E o salpicar de estrelas anuncia que de trevas não sucumbirei por hoje somente.
Brilha assustada uma meia lua à espera dos olhos de alguém, que distante a refaça.
Estou a completar-te lua minha. Toma-te por parte este peito tão clemente.

Incorpora-me nesta tua solidão de agora tão perfeitamente bela e invejada.
Somos duas, a procura de um céu maior, não só do candeio de estrelas tantas,
mas da necessidade que temos de um amor que nunca faz sua chegada.
Cai o frio sobre nós. Lua nua de saudade, por que a muitos tu encantas?

Tu não és sozinha, lua minha, ao teu luzir único e solitário, muitos se enamoram.
Já nisso diferimos, pois a mim só resta chorar no peito, um amor que acabou.
Mas tu tens o sol para dar-te companhia no mesmo céu que os penduram.
Eu já nada tenho, sou de fato uma um reflexo de solidão. Isso é o que sou.


quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Solidez



Ao desprender das horas, tão longas companheiras dessa minha solidez.
Desfaleço-me em um canto qualquer da casa tão vazia de sentidos.
Fico decorando paredes ao passo que me sufoca esta minha languidez.

Aos meus olhos as paredes são belas, representam o estático que não faço uso.
Ao o fitá-las desse modo, aquieto-me, e hipnotizo a frieza em minha alma repleta.
Emociona-me tamanha exatidão do nada. Não faço desse momento, um recuso.
Vejo poesia nas paredes, delas absorvo o sentimento da forma mais concreta.

Preciso das paredes, nelas desenho a chatice monótona dessas horas de aflição.
Meu mundo é sentido em TRÊS formas, e quanto a isso, não há mais remédio.
EU --------------------------------- PAREDE----------------------SOLIDÃO
EU ---------------------------------PAREDE-----------------------TÉDIO





Na varanda

Noite de lua tímida, ouço teus passos a sondar-me. Teu cheiro trazido pelo sussurro do vento inebria-me. Desconcerto-me de vez. Aqui, deitada na rede, olhando o repousar dos pássaros que regressam, ouvindo a mistura boa de sons do campo ao anoitecer, deixo-me entregue aos teus carinhos. Tu seguras minha mão e diz-me do que somos, faz-me toda envergonhada quando a mim desdobra-se em elogios. Nossa rede é nosso refúgio, nela tu me abraças e sorri, assim, de nada, de tudo. Ficamos no silêncio dos olhos, no apego de mãos, no toque dos cabelos. Ficamos no que somos, tão somente, no que somos.

E apontam as estrelas maiores, e de ti ouço que nada é tão maravilhoso que contemplar as noites do mato, deitado na rede ao lado da morena que amas. E a ti digo com meus olhos de paixão, que nada me faz mais feliz do que tê-lo ao meu lado, nestas noites frescas, onde refazemos nosso amor. Olhamos-nos não só com os olhos, pois já não somos dois, e sim um só, entregue um ao outro. Neste instante, tu pedes pra que eu me aquiete, levanta-se, pega o violão encostado no cantinho junto à porta, sorri e toca a nossa canção. Não há como não encantar-se.

- Tu me fazes cantar, confessa-me. -Tu me fazes sorrir, confesso-te. Somos letra e canção. Poesia e prosa. Somos. Ainda somos. Beija-me, beija-me aqui, na nossa rede; na nossa varanda; aos olhos das nossas estrelas e ao testemunho da nossa lua. Temos o céu o como nosso. Temos um ao outro. Já não há como fugir disso tudo. Tu te aproximas e entrelaça tuas mãos as minhas e diz-me do amor que sentes, como um menino, pedindo colo, carinho, sossego e a paz que tanto procuras. Deitamo-nos no aconchego do nosso abraço, no toque suave de nossas bocas, que se cedem aos mais intensos beijos de amor. Encontro-me em ti, assim, na nossa varanda, deitados na rede ao sopro do vento faceiro; ao som das notas tocadas; ao candeio das estrelas e a esse amor que é tão nosso.

Aos meus alunos

Em vida existimos tão só para nos fazermos ensinados. Gestos, pequenos gestos, nos trazem ao peito, o real sentido da gratidão e do respeito. Fazer por alguém, sem nenhuma resposta em troca, é a maior de todas belezas. Agradeço a Deus por ter me dado a benção de ensinar. Quando tudo se torna escuro, falso, desentendido, doente e sem nenhum crédito, escuto o que me alivia tanto: “Tu és boa nisso, vai lá e faça o que você sabe fazer de melhor”, “Professora, me dê um abraço, você é incrível!”, “Pro, a senhora é demais!”, “Professora, obrigado por ter acreditado em mim.” Nisso, refaço-me a cada dia. Não importa em nada meus honorários, nem o que pensam ou deixem de pensar sobre eu sentar na mesa; sobre eu dizer: “Porra! Vocês são capazes!”

Isso não me interessa, o que me importa é olhar pra cada um dos meus alunos e saber que fui capaz de despertar a vontade que eles mesmos deixam guardadinha e nunca lhes disseram que basta uma chave pra poder libertá-la. ATITUDE! Essa é a palavra-chave. Temos tantos percalços nessa vida. Há tanta ingratidão, tanta reclamação por coisa besta e sem sentido, que me envergonha saber que muitas vezes eu mesma, deixo-me abater por tolices. Eu tenho orgulho de ser professora. Orgulho do que sou, do que faço e do que ainda irei fazer por meus alunos. Se faço um bem à eles, muitos sequer podem imaginar o quanto fazem por mim.

Deixo aqui, este meu carinhoso respeito a todos os meus alunos, aos quais muitos colegas desacreditam, por serem jovens. Eu acredito em cada um de vocês. Amo cada um de vocês na grandiosidade do que me faz bem. Agradeço imensamente a toda honra a mim oferecida. Eu não faço só o meu papel, eu vivo com cada um a experiência de ser cada dia melhor. Vocês me ensinam todos os dias.

Obrigada a todos pelo carinho.

Aos terceiros B e C (CEJA)

Porra! Vocês são demais!





terça-feira, 1 de setembro de 2009

Seu Anjo da Guarda

Quando vejo seu sorriso
Lágrimas correm pelo meu rosto e não posso fazê-las voltar
E agora que eu sou mais forte descobri
Como esse mundo se torna frio e rompe completamente minha alma
E eu sei que descobrirei no meu íntimo que posso ser o primeiro
Nunca deixarei você cair
Eu enfrentarei tudo com você pra sempre
Eu estarei ao seu lado apesar de tudo isso
Mesmo que salvar você me mande pro céu
Tudo bem, tudo bem, tudo bem
As estações estão mudando
As ondas se quebrando
Todas as estrelas caem por nós
Os dias aumentam e as noites diminuem
Eu eu posso te mostrar que serei o primeiro
Nunca deixarei você cair
Eu enfrentarei tudo com você pra sempre
Eu estarei ao seu lado apesar de tudo isso
Mesmo que salvar você me mande pro céu
Por que você é, você é, meu verdadeiro amor, de todo meu coração
Por favor, não o jogue fora
Por que eu estou aqui por você
Por favor não se vá
Por favor diga que você vai ficar, ficar
Me use como você quiser
Me persua sutilmente só por emoção
E eu sei que ficarei bem
Embora meus céus se tornem cinza
Nunca deixarei você cair
Eu enfrentarei tudo com você pra sempre
Eu estarei ao seu lado apesar de tudo isso
Mesmo que salvar você me mande pro céu

Vida

Vida
Há muito o que ser escrito...

A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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