terça-feira, 8 de junho de 2010

Sobre a procura de nós mesmos...*

Esperamos que alguém nos diga o que é conduta justa ou injusta, pensamento correto ou incorreto e, pela observância desse padrão, nossa conduta e nosso pensar se tornam mecânicos, nossas reações, automáticas. Pode-se observar isso muito facilmente em nós mesmos.

Durante séculos fomos amparados por nossos instrutores, nossas autoridades, nossos livros, nossos santos. Pedimos: "Dizei-me tudo; mostrai-me o que existe além dos montes, das montanhas e da Terra" - e satisfazemo-nos com suas descrições, quer dizer, vivemos de palavras, e nossas vidas são superficiais e vazias. Não somos originais. Temos vivido das coisas que nos tem dito, ou guiados por nossas inclinações, nossas tendências, ou impelidos a aceitar pelas circunstâncias e o ambiente. Somos o resultado de toda espécie de influências e em nós nada existe de novo, nada descoberto por nós mesmos, nada original, inédito, claro.

O que agora vamos fazer, por conseguinte, é aprender a conhecer-nos, não de acordo com certo analista ou filósofo; porque, se o fazemos de acordo com outras pessoas, aprendemos a conhecer essas pessoas e não a nós mesmos. Vamos aprender o que somos realmente.

A compreensão de nós mesmos não requer nenhuma autoridade, nem a do dia anterior nem a de há mil anos, porque somos entidades vivas, sempre em movimento, sempre a fluir e jamais se detendo. Se olharmos a nós mesmos com a autoridade morta de ontem, nunca compreenderemos o movimento vivo e a beleza e natureza desse movimento.Pois bem; onde começarmos a compreender a nós mesmos?

Não posso existir sozinho. Só existo em relação com pessoas, coisas e idéias e, estudando minha relação com as pessoas e coisas exteriores, assim como com as interiores, começo a compreender a mim mesmo. Qualquer outra forma de compreensão é mera abstração, e não posso estudar-me abstratamente; não sou uma entidade abstrata; por conseguinte, tenho de estudar-me na realidade concreta - assim como sou, e não como desejo ser.Não há sensibilidade se existe alguma idéia, que é do passado, dominando o presente. A mente já não é então ágil, flexível, alertada.

Para compreendermos qualquer coisa, temos de viver com ela, observá-la, conhecer-lhe todo o conteúdo, a natureza, a estrutura, o movimento. Já experimentou viver com você mesmo?
Isso é dificílimo, porque não sabemos olhar nem escutar o nosso próprio ser, assim como não sabemos olhar a beleza de um rio, ou escutar o murmúrio da brisa entre as árvores.

Uma das coisas mais difíceis do mundo é olharmos qualquer coisa com simplicidade. Como nossa mente é muito complexa, perdemos a simplicidade. Refiro-me àquela simplicidade que nos torna capazes de olhar as coisas diretamente e sem medo, capazes de olhar a nós mesmos sem nenhuma deformação, de dizer que mentimos quando mentimos e não esconder o fato ou dele fugir.

É preciso viver, nada mais que isso. As pessoas estão apenas existindo e se prendendo aos medos adquiridos. Viver é conhecer a si mesmo, é libertar-se. Pensar nisso, é abrir os olhos e encarar o que sempre fugimos: A verdade.


Finalizo com Milton Nascimento que nesta canção, disse tudo:



* Texto baseado na obra de Jiddu Krishinamurtti.

6 comentários:

  1. Então nossa conversa rendeu...
    Nem preciso dizer, que essas palavras vieram direto como uma flecha no coração!
    Ah! Minha amiga, como pensei no que me disse, como preciso colocar em prática tudo aquilo.
    Estou cansada... de carregar o mundo, quando o que mais preciso é ser carregada.

    Mas tudo isso passa, ah se passa, logo passa, tem que passar.

    Nós humanos somos frágeis, mas em nossas fragilidades aprendemos a ser gente, e nisso vamos criando uma resistência não é?

    Obrigado mais uma vez, já liguei o fo.... rs
    Vamos ver no que dá, piorar não pode!!!

    Abraço carinhoso, anjo terreno!

    "É preciso viver, nada mais do que isso."

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  2. ...
    Belíssima reflexão.
    Penso assim também.
    Meu beijo, Jacque.
    ...

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  3. Nossa, gostei muito do seu blog...a sua forma de escrever é super-espontânea!

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  4. Fabi! Vê como a vida é simples? Parece tão complicado às vezes, mas, apenas parece, lindona! Mulher, seja um tantão egoísta!!! hehehe...

    Continue com a garra e a doçura de sempre e lembre-se de duas coisas: Vingue-se do mundo sendo apenas feliz e encontro todosos dias um motivo para sorrir!

    Eu adoroooo você, mulher maravilhosa!!!

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  5. Ahhhhh, mais um!!! Hehehe, que bom que pensa assim, amigo!

    Beijosss!

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  6. Oi, Amanda!!!

    Seja mil vezes bem vinda ao meu espaço que é de todos!!!

    Beijo!

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