quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Confissões de um poeta


Eu não sei caminhar junto à sanidade,vezes, rogada em desespero.
Eu tenho cicatrizes na alma e um coração que ama e odeia.
Eu pequei quando disse da quietude que eu não sou.
Meu crime jamais terá perdão, pois vivo disso e nada será diferente.
A minha paz repentina me distrai.
Meu desespero acalma-me sempre que preciso.
Do alto, vejo as candeias luminosas que me guiam.
Eu sou esse sopro do vento contrário das horas frias.
Eu sou a alegria estampada num rosto que não sorri.
Não sei quem sou e me conheço muito para afirmar isso.
Contraditória alma minha, por que me minto?
Não vês que eu só vivo a escrever de ti o que eu sinto?
Por que ainda sinto em desespero uma falta que não me falta?
Os versos, os livros e as rosas... Onde estão guardados?
Eu preciso apiedar-me de sossego e escrever sobre tudo isso.
Oh! Deus, tu que me fizestes assim, soubeste certamente o que fazias.
Resta-me sentar nas escadas que dão aos céus.
Porque o inferno eu já conheço de passagem.
Restam-me novamente clamores de paz pra que tu ouças.
Eu não tenho cura, mas tenho tratamento.
Queria eu não ser feita de sentimentos tantos.
Eu choro em meio a risos e risos são meus prantos.
Eu sou poeta e sofro das minhas quietas intranquilidades.
Eu sou poeta e vivo tão somente de versos, mentiras e verdades.



* Queridos amigos, isso tudo é fruto do desespero de quem escreve.

17 comentários:

  1. E de quem escreve bem, muito bem.
    É do desespero que nasce a obra.

    =)

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  2. Este texto reflecte incrivelmente uma personalidade. Começa numa interiorização do eu, depois passa por uma relação especial com o divino, como quem apela ao exterior, e depois uma identificação profunda entre o ser-se para os outros e para si, reflectindo-se num ser concreto, que é o poeta. E o poeta tem isto tudo: O ser, o sentir, as inspirações divinas e a realidade que dá aos outros. "O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor a dor que deveras sente" (Pessoa).
    Digo-lhe, adorei, mesmo, isto que escreveu. Tem um ritmo e uma lógica incrível.

    Beijo :)

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  3. ...
    Oi Jacque...
    Tudo aqui é lindo.
    Parabéns!
    Abraço!
    ...

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  4. Jacque!!

    Isso tudo acontece comigo...
    me identifiquei muito!!!


    Parabéns belo poema

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  5. Jacque.

    Gostei muito, o poeta vive de mentiras e verdade
    parabéns,
    abraço.

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  6. Oi Jacque

    Adorei muito seu poema,muitas pessoas irão identificar-se pelo que você escreveu.Principalmente eu.Parabéns poetisa, vou esperar que um dia você escreva um livro.Você tem uma visão profunda do coração.

    Abraços

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  7. Tatiane... Você tem razão, é do desespero que nasce a obra.

    Obrigada por vir aqui, um abraço carinho!

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  8. Luís, eu adoro a suas análises. Realmente, esse poema retrata bem uma personalidade. A personalidade de um poeta, que finge dores, amores... desamores. Que bom que gostou mesmo desse desespero lírico!

    Um abraço carinhoso, meu amigo.

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  9. Julio, obrigada! É um prazer tê-lo aqui!

    Abraços!

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  10. Ju, que bom que se identificou, somos duas então minha cara, a escrever em desespero nossas verdades e mentiras.

    Um beijo!

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  11. Oi, José! Obrigada pelo carinho de sempre. É, o poeta vive disso.

    Beijo!

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  12. Fabiano, nossa! Obrigada por isso. Eu não tenho pretensões de livros, mas, quem sabe... Fico feliz que se identificou com o poema. E... quanto conhecer ao coração das pessoas... Bem que eu queria...

    Um abraço, meu amigo!

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  13. Jacque, dei-me cá este coração apertado, vamos dar a ele uma boa dose de carinho, guardá-lo em um abraço apertado. Conheço bem essas tormentas que acometem a alma, e repito aqui o que você me disse em um comentário. Ai, do seu jeito, se coloque diante de algo bem maior, infinitamente poderoso. Você disse "Deus, tu que me fizestes assim, soubeste certamente o que fazias", e seja lá o que ele te mandou, saiba que mandou também a força necessária para você superar.

    Vai lá, olhe no espelho. Tá vendo essa moça linda ai? Pois é, ela é bem mais que dores, é muito mais que sofrimento. Ela é forte, guerreira, merece e vai ser feliz. Tudo passa, minha amiga, e não há dor no mundo que dure para sempre.

    Abraços carinhosos.

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  14. Angel, é complicado. Eu sei, você sabe... Muitos sabem... Mas, ao passo que se sofre, se aprende. O Fabiano, no comentário dele, deixou registrado que eu conheço o coração das pessoas... Bem, eu não sei, mas há algo que me faz converter meu sofrimento em algo bom. Sofrer por amor e desilusões são vaidades. Tudo é vaidade debaixo do sol. Eu fui ao espelho Angel, e vi que nosso sofrimento não é nada, é vão... Olhemos o que importa, como nossos irmãos haitianos, isso sim, é sofrimento. Eu sofri, isso é certo, mas, tudo isso que me cerca, inclusive palavras como as suas que a mim são de uma importância sem medidas, só me fazem enxergar que a vida é bem mais que sofrimentos. Eu só tenho à agradecer a Deus, por ter me feito como sou e de permitir que pessoas como vocês cruzem o meu caminho.

    Obrigada, de coração.

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  15. Antes de mais, o blog está cada vez melhor, sempre que posso, dou uma olhada! Parabéns!

    Quanto ao texto: É raro sentir um sentimento universal. Há que ter uma carga excessivamente humana pra isto! Esse texto demonstra o que quase todos sentem e o que pouquissimos conseguem transmitir tão bem por meio de palavras claras e diretas.
    Viver não é apenas uma aventura. É um drama. É uma antítese nada sintética. Viver é tudo além do que possamos imaginar. Fosse o contrário a morte o atestaria!
    Forte Abraço!

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  16. Oi, Henry que bom que sempre acompanha essas minhas palavras umas vezes carregas de amor, outras de um certo ódio repentino. Obrigada pelo elogio, isso só me entusiasma ainda mais a escrever, não importa os motivos. A vida tem mesmo tudo isso. Viver é realmente qualquer coisa que podemos imaginar e eu sou qualquer coisa além de mim, como certa vez, afirmei em um poema. Eu tenho a paz e o tormendo junto à alma e as palavras são muitas vezes o equilíbrio que preciso.

    Um forte abraço, meu caro!

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