domingo, 3 de janeiro de 2010

A palavra que teima



A palavra teima em dominar minhas mãos fazendo delas minha razão de tamanha necessidade: a escrita. Desnorteia minhas traçadas linhas a fim de registrar o que meu peito somente sente. Eu pulso junto as tuas febris revelações, seja em verso ou prosa. Eu sou escrava dos teus anseios quando a mim domina por qualquer razão que seja. Eu sou este desgastante ruído ao qual a caneta se entrega quando meu peito em agonia deseja fazê-las livres de mim. À palavra que teima em jogar-me ao clarão das verdades quando muitas vezes no escuro eu quis ficar alheia. Deixo minhas constatações certas ou erradas, mas verdadeiras, sejam elas insignificantes aos olhos de quem menospreza o que a escrita traz da alma ou até mesmo os que leem sem achar sentido algum. Eu teimo em coisas ainda a mim tão vívidas, assim como teimo em fazer os versos das verdades que me vieram abraçadas a rosas repletas de espinhos. Eu não sei engaiolar meus anseios quando eles me sufocam o peito a procura de respostas.
Eu teimo junto à escrita fazendo dela minha força necessária, meu mundo paralelo e minha fuga. Eu não sei abandonar as rimas, mas sei abandonar qualquer palavra antiga. Eu não escrevo como quem cospe no papel. Eu apenas deixo as palavras me levarem como folha desprendida solta pelo vento. Eu amo à minha maneira, seja ela breve ou nova. Eu não sei não viver sem sentimentos, entregas ou necessidades. O meu sangue ferve como a letra que queima o papel seja de ódio ou qualquer sentimento bonito. Eu nunca disse “eu te amo” em vão e nem amarrei declarações em versos falsos. Eu amei e amo mil vezes se for preciso, porque eu sou sentimento e verdade. Eu posso ter no peito um coração estilhaçado e ferido, mas ainda tenho o que mais me interessa: Amor próprio, sentimentos válidos e poesia.

7 comentários:

  1. "Eu teimo junto à escrita fazendo dela minha força necessária, meu mundo paralelo e minha fuga..."

    Força e continua!
    São belos os textos!!! :D

    és uma poetisaaa!!

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  2. Não seria nenhuma hipérbole dizer que é perfeito demais o que acabo de ler.

    "Eu não sei abandonar as rimas, mas sei abandonar qualquer palavra antiga. Eu não escrevo como quem cospe no papel. Eu apenas deixo as palavras me levarem como folha desprendida solta pelo vento."

    Me encontrei tanto nesse trecho acima. Sem palavras para descrever, aliás, somente vamos escrever e tentar achar explicação para tudo que sentimentos e gostaríamos de sentir!!!

    Incontáveis abraços.

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  3. viva...em meio a tristeza, dor ou sofrimento ainda assim viva...

    a alegria sempre chega e completa espaços trazendo a tona o que faltava

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  4. Oi Jacque. Como você está. Agradeço mais uma vez sua visita e parabenizo-a pela qualidade poética, pela sensibilidade de ver um mundo seu, de personalidade tão singular. Feliz 2010. Muita paz e poesia para nós todos.

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  5. Gonçalo, obrigada pelo carinho. Sou poetisa, quem sabe...rs

    Carlo,agradeço imensamenta o elogio tão sincero. Que bom que se encontrou no meu texto.

    Laris, não há em mim fendas, acredite. De tristeza ou alegria, minha alma é completa.

    Antônio! Que saudade. Passei lá pelo teu navio carregado de palavras nesse mar de amor. Obrigada por docemente me acompanhar!

    Abraços sinceros à todos!

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  6. Muito obrigado pela visita! Que bom que gostou do conto. Estarei acompanhando sua morada Poética =D Já dei uma olhada e vi muita coisa bacana. Abraços

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  7. Domenium, teu blog é incrível! Obrigada por vir aqui!

    Abraço

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A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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