terça-feira, 25 de agosto de 2009

Perdoa-me



Nefasto cair de tarde onde minha solidez amargurada faz-me companheira.
Árvores velhas e flores murchas a mim nada causam estranheza.
Sou agora linear figura desconcertante que caminha nessa hora derradeira.
Pesa-me as malditas culpas entrelaçadas aos meus ares de tristeza.

Encosto-me junto ao carvalho cicatrizado pelos anos, e que agora recolhe este pranto.
Curvo-me diante da melancolia, choro pela tua falta que a mim fez-se inferno.
Um revoar de pombas brancas levanta-me o semblante e retira-me o triste manto.
Ainda a amo. Só a ti meus dias são entregues. Só a ti o meu amor será eterno.

Espero a hora breve, olhando as pombas a dizer-te em revoada, de todo o amor que tenho.
E aqui te escrevo, diante dessas paisagens e aos pés dessas árvores solitárias e antigas.
Escreverei, rogarei aos céus se for preciso, pra que de mim, tu não faças mais desdenho.

Cubra-me novamente com teus olhos, perdoa-me sem dizer-me a palavra tão sofrida.
Não digas adeus novamente, não me deixes nesse impiedoso árduo sofrimento.
Sem ti, em mim habita tão somente o padecimento. Sem ti, eu não sei o que é vida.

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A quem siga vivendo de alegria ou agonia... Eu sigo vivendo da minha alegre e agonizante poesia.
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